PGR vai analisar pedido de abertura de inquérito contra Bolsonaro

Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília
14 de julho de 2020 às 09:42 | Atualizado 14 de julho de 2020 às 13:11
Jair Bolsonaro mostra troca de mensagens por WhatsApp com o ex-ministro Sergio Moro
Foto: Reprodução/CNN

A Procuradoria-Geral da República recebeu nesta terça-feira (14) o pedido do senador Otto Alencar (PSD-BA) para abrir inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro por fake news. O relator da ação é o ministro Gilmar Mendes.

No dia 1º de junho, o senador pediu ao STF a abertura de um novo procedimento investigativo para apurar a suposta disseminação de fake news por Bolsonaro. O pedido foi feito dentro do inquérito que já apura fatos noticiados pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro em relação Bolsonaro. 

Segundo o parlamentar,  em 22 de abril Bolsonaro encaminhou a Moro uma mensagem anônima contra adversários políticos do presidente na Bahia.

No conteúdo, de acordo com o senador, o autor da mensagem, não identificado pelo presidente, diz que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), teria contratado sem licitação uma empresa de propriedade do filho do senador Otto Alencar para gerir o Hospital Espanhol, em Salvador.

A unidade estava fechada havia mais de cinco anos, e foi reaberta como unidade de tratamento contra a Covid-19.

“No caso, houve um encontro fortuito de provas no inquérito e que a conduta do presidente precisa ser apurada. As informações repassadas pelo presidente da República aos seus ministros não dispensam a busca pela idoneidade da informação, notadamente, quando se comunica fato demasiadamente grave”, disse. 

Para o senador, a disseminação de fake news por parte de Bolsonaro insere o parlamentar em um cenário de burlar a lei de licitações. “As afirmações colocam em xeque a idoneidade das licitações. Além disso, encaminhar fake News a um ministro de Justiça cria um risco potencial”, afirmou o parlamentar. 

Para Otto, “haveria de se exigir um mínimo de formalidade ao se encaminhar a notícia de um fato grave ao ministro da Justiça, envolvendo um senador e um deputado federal, caso o propósito do representado fosse a adequada apuração dos fatos”, escreveu.