TJ-RJ dá prazo de 5 dias para redes sociais explicarem exclusão de perfis 

Facebook excluiu uma teia de contas consideradas falsas e ligadas a gabinetes de parlamentares próximos à família Bolsonaro

Stéfano Salles, da CNN no Rio
23 de julho de 2020 às 15:14
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Foto: Dado Ruvic/Reuters (18.jun.2014)

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) deu cinco dias de prazo para que as redes sociais Facebook, Instagram e Twitter se manifestem sobre a exclusão dos perfis de Leonardo Rodrigues de Barros Neto. O ativista de 33 anos era responsável pelas contas "Bolsonéas", e tinha os perfis pessoais "Léo Bolsonéas".

Todos foram removidos no dia 8 de julho, em uma ação independente das próprias redes, que excluiu uma teia de contas consideradas falsas e ligadas a gabinetes de parlamentares próximos à família Bolsonaro. De acordo com Leonardo, não houve espaço para defesa.

O despacho desta quinta-feira foi da 5ª Vara Cível de Nova Iguaçu, Região Metropolitana do Rio, é assinado pela juíza Alessandra Ferreira Mattos Aleixo. Ela reproduz os argumentos da defesa no documento, dizendo que, nos perfis, Leonardo atuava “divulgando suas próprias fotos em participações em eventos e manifestações, sem ocultar sua identidade ou se envolver em publicações com caráter difamatório, injurioso ou mesmo fake news”. 

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Somadas, as contas tinham mais de 1,5 milhão de usuários. Leonardo foi funcionário do gabinete de Alana Passos (PSL), deputada estadual do Rio de Janeiro, do qual está desligado desde o início do ano. Ele celebra o despacho da juíza e diz esperar com o otimismo o retorno das páginas derrubadas. 

"No início, muita gente disse que era censura. Eu mesmo disse isso na época, no calor do momento, mas não quero seguir nessa. Eu sou temente a Deus e quero acreditar que tenha sido um engano. Meus perfis não são ofensivos, não atacam ninguém. Eles se dedicam a exaltar o governo, as boas notícias e as realizações. Sempre preferi ir por essa linha", afirmou. 

Leonardo tinha duas contas em cada rede social, e permaneceu apenas com uma. Seu nome e seus perfis não estão citados na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relativa ao inquérito das fake news. Procurado para comentar o caso, o advogado de Leonardo, Rafael dos Santos Oliveira, não retornou os contatos da reportagem.