Base não é dizer 'amém' para o governo, diz líder do PP na Câmara

Em entrevista à CNN, Arthur Lira disse que saída de DEM e MDB do bloco do Centrão na Câmara é fato rotineiro

Da CNN
27 de julho de 2020 às 21:17 | Atualizado 27 de julho de 2020 às 21:37

O líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), disse em entrevista à CNN nesta segunda-feira (27) a saída do DEM e do MDB do bloco do Centrão é "absolutamente normal". Segundo Lira, a definição do que é base do governo tem que ser revista.

"Base não é dizer 'amém' para o governo, dizer que está correto. É participar de decisões antes que cheguem ao plenário, participar da elaboração, discordar. É para isso que a base é feita, ela é contributiva, não acarneirada", declarou.

Lira manteve o mesmo posicionamento ao responder se o bloco continuará ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até 2022.

"Nós temos as nossas pautas que coadunam com as do governo. Então, se vai durar ou não, temos que fazer a construção todos os dias", afirmou. "Falar de 2022 é diferente, estamos dando apoio a pautas do governo. A eleição de 2022 está muito longe, temos que ver como vai se comportar".

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Mais cedo, a CNN publicou que o DEM e o MDB, dois dos maiores partidos do Centrão, irão deixar o grupo. Para Lira, o fato é corriqueiro.

"Formamos os blocos para garantir vagas na comissão de orçamento, indicar o relator e o presidente, é assim desde 2016", explicou. "O bloco nasce para morrer em 15 dias. Com a pandemia, facilitava a assinatura de urgências, então foi ficando, mas nada que tenha repercussão política".

Ele citou que, antes dessas siglas, PSL, PSDB e PSC já haviam desembarcado, sem o mesmo impacto. "Nenhum desses partidos vai deixar de votar as pautas que são importantes para o Brasil", falou. "É um fato rotineiro, normal e que acontece todos os anos no Congresso".

Lira disse que o bloco de centro é essencial para qualquer governo eleito. "Eu não gosto do assunto coalizão, são necessários partidos mais fortes e alinhados com os governos que se elegem. Enquanto isso não acontece, todos os partidos de centro é que darão estabilidade ao governo, seja de esquerda ou de direita", disse.

Segundo o líder do PP, essa afinidade não se deve à cessão de cargos. "Se você for ver o percentual de votações com o governo em 2019, nenhum desses partidos tinha cargo nenhum no governo, a não ser DEM, MDB e outros poucos. Os partidos votaram 92% com a pauta progressista e liberal do governo. Não mudamos a nossa rota."

Quanto à eleição para a presidência da Câmara, para a qual é cotado, ele disse ainda não se preocupar. "Se esse assunto vier poluir a agenda do Congresso, o Brasil perde. Deixe para outubro, novembro, depois das eleições [municipais] teremos tempo suficiente".

Fundeb

Lira disse que o governo federal nunca teve uma derrota na Câmara."Todas as matérias importantes no Plenário da Câmara, o governo foi vencedor. O governo não teve nenhuma derrota no Plenário. Seja bem verdade, algumas matérias já transitam há algum tempo e não são matérias fáceis", afirmou.

Uma das vitórias que citou foi a aprovação do Fundeb na última semana. "O ex-ministro [Abraham Weintraub] não deu importância ao tema, chegou ao Plenário sem a gente poder apresentar substitutivos, emendas... Teve-se que fazer ajustes para melhorar esses pontos percentuais", afirmou. "Será que em um governo de esquerda esse Fundeb teria aumento de 130%? Eu duvido". 

(Edição: Bernardo Barbosa)