'Pacto nacional' mira desmanche da Lava Jato, diz ex-membro da força-tarefa

Carlos Fernando dos Santos Lima rebateu as críticas do procurador-geral Augusto Aras e afirmou que não há nada ilegal na operação

Da CNN
29 de julho de 2020 às 22:27 | Atualizado 29 de julho de 2020 às 23:17

O ex-procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que foi um dos principais nomes da Operação Lava Jato em Curitiba e hoje está aposentado, afirmou à CNN nesta quarta-feira (29) que a investigação está sendo alvo de "um grande pacto nacional entre os poderes" que visaria desmanchá-la e colocar o ex-ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol "como exemplos a não serem seguidos".

Na entrevista, Carlos Fernando rebateu as críticas feitas à força-tarefa pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, à Lava Jato. Para Carlos Fernando, não existe o que Aras chamou de "lavajatismo" e a operação segue estritamente as previsões legais. "Nada na Lava Jato é ilegal", rebateu o procurador aposentado em entrevista exclusiva à CNN.

Nesta terça (28), em live promovida por um grupo de advogados, Augusto Aras afirmou que a Lava Jato era uma "caixa de segredos" e que estava mudando os rumos do Ministério Público contra o que disse ser um atropelo às garantias individuais. "A hora é de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure", disse.

Para Carlos Fernando, a alegação de que não existiria um "lavajatismo" justifica-se no fato de que as posições da força-tarefa no Paraná eram submetidas "a quatro instâncias", sendo a primeira Sergio Moro, enquanto ainda era juiz, e a última o Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-integrante da Lava Jato classificou a posição de Aras como sendo um "garantismo" que atenderia aos interesses apenas das defesas de investigados. Ele ainda critica o fato de o procurador-geral ter participado de uma live promovida por advogados que já atuam ou atuaram para envolvidos na investigação.

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Críticas reiteradas

Mais cedo, Augusto Aras participou de uma videoconferência com senadores e reiterou as críticas à Operação Lava Jato. Aras destacou que uma república não combina com heróis, segundo relato de dois parlamentares que participaram da videoconferência.

O líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), avaliou, em entrevista à CNN, que a postura de Aras visa proteger um combate à corrupção que não atropele garantias constitucionais.

"Interpreto a manifestação do procurador Augusto Aras no sentido de buscar a correção de rumos para que todo o esforço de apuração seja feito na obediência ao processo legal", disse Bezerra. "O que se discute é como fazer o combate à corrupção sem atropelar as garantias constitucionais. Não se pode radicalizar as manifestações sobre excessos por um ou outro procurador."

(Edição: Bernardo Barbosa)