Moraes autoriza depoimento de Aécio em inquérito sobre Cidade Administrativa

Deputado afirma que não teve acesso a todos os documentos de investigação, mas STF acolheu argumentação de que parlamentar protela andamento do processo

Guilherme Venaglia e Gabriela Coelho, da CNN, em São Paulo e Brasília
21 de agosto de 2020 às 21:05
Deputado federal Aécio Neves
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o depoimento do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) no inquérito que apura se houve superfaturamento na construção da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, que custou R$ 1,7 bilhão.

O depoimento de Aécio havia sido suspenso pelo próprio Moraes há dez dias, depois que o tucano alegou ao Supremo não ter tido acesso às informações do inquérito em que foi indiciado por corrupção e peculato.

O conteúdo das investigações foi compartilhado com o deputado, que alegou, no entanto, ter recebido o material incompleto.

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A defesa cita mídias mencionadas na delação de Marcelo Dias, da Santa Bárbara Engenharia, e documentos entregues por José Ricardo Breghirolli, que fazem parte da delação da OAS.

Moraes aceitou a posição da Polícia Federal, segundo a qual a corporação não possui os itens citados por Aécio ou eles "não existem".

A juíza Sabrina Peixoto Ladeira reiterou essa alegação, afirmando que foram compartilhados com o deputado todos os materiais e mídias que integram os processos.

Diante da posição da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF que a reclamação de Aécio fosse extinta, apontando que o deputado "usa o expediente com o propósito de atrasar o encerramento da apuração".

Apesar de ter aceitado a posição de que os documentos citados por Aécio de fato não estão em posse da investigação, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o paradeiro e a existência dessas peças devem ser investigados pela Vara de Inquéritos Policias da Comarca de Belo Horizonte.