RJ precisa de nova eleição para povo recuperar confiança, diz cientista político

Diante do histórico de políticos presos e condenados, além de crises econômicas e de segurança pública, o cientista político avaliou o melhor caminho para o RJ

Da CNN
28 de agosto de 2020 às 14:49

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (28), o cientista político Ricardo Ismael, professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), defendeu que sejam convocadas novas eleições caso sejam confirmados os afastamentos do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e do vice, Cláudio Castro.

Castro também foi um dos alvos da operação desta sexta. De acordo com relatos feitos à colunista de de política Thais Arbex, da CNN, as situações de Castro e Ceciliano devem se complicar e, muito dificilmente, eles conseguirão assumir o Palácio Guanabara.

Ismael explicou que em caso de afastamento do governador e do vice, há dois cenários possíveis para o estado. "Se acontecer até o final do segundo ano do mandato, teria que convocar eleições direitas, pelo voto popular", esclarece. "Caso a questão do afastamento se dê nos dois últimos anos de mandato, a escolha do governador do vice aconteceria na Alerj", acrescenta.

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O governador do Rio, Wilson Witzel, em evento
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Diante do histórico de governadores presos e condenados, além de crises econômicas e de segurança pública no RJ, o cientista político diz que o melhor caminho seria via eleições direitas. 

"Me parece que as condições políticas hoje, principalmente para conseguir restabelecimento da confiança da população no estado, essa eleição terá que acontecer de uma forma direta, se por acaso se confirmar esse cenário", avaliou ele, que ainda classificou que "o que temos pela frente é um quadro bastante confuso".

Ismael citou as implicações de Witzel ter feito campanha com foco no combate à corrupção e agora ter o nome envolvido em investigações que fraudes na Saúde. "O estado vinha numa situação difícil e agora, com essa situação do Witzel, eleito com um discurso de tentar passar a limpo o estado e evitar novos esquemas de corrupção, temos um descrédito e uma certa desesperança do povo carioca e fluminense", analisou.

E concluiu: "É inevitável que uma eleição direita, que talvez tenha que acontecer, aconteça, porque não teria como estabelecer uma eleição indireta, via Alerj, e recuperar essa confiança mínima que tem que existir entre os governantes e a sociedade".

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Nesta sexta-feira (28), Castro assumiu interinamente a chefia do Executivo fluminense, após o ministro do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves determinar o afastamento por 180 dias de Witzel.

Witzel, porém, também é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio, o que pode resultar na ascensão definitiva de Castro ao posto de governador. A expectativa é de que o processo seja acelerado após a operação desta sexta, segundo o colunista de política Igor Gadelha, da CNN.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), alegou inocência nesta sexta-feira (28), disse que não existe "um papel" de prova contra ele e acusou a subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo. 

“Uma busca e apreensão, que mais uma vez, é uma busca e decepção. Não encontrou um real, uma joia. Simplesmente mais um circo sendo realizado”, disse Witzel, em entrevista coletiva no Palácio Laranjeiras, ao dizer que não há provas contra ele.

(Edição de texto: Luiz Raatz)