Witzel: empresa suspeita planejava encerrar contrato antes de batida policial

Os investigadores suspeitam que o escritório de Helena Witzel era usado para lavar dinheiro para um intrincado esquema de desvio de recursos

Daniela Lima
Por Daniela Lima, CNN  
29 de agosto de 2020 às 09:11
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro
Foto: Fernando Frazão - 27.jan.2020 / Agência Brasil

Documentos que deram base ao afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, mostram que uma das empresas supostamente usadas para lavar dinheiro para o político planejava, às vésperas de uma batida policial, encerrar seu contrato com o escritório de advocacia da mulher do governador, Helena Witzel. 

Os investigadores suspeitam que o escritório de Helena era usado para lavar dinheiro para um intrincado esquema de desvio de recursos, que usava dezenas de empresas em nomes de laranjas e que atuava em diversas secretarias do Estado.

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Registros entregues ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) mostram que os investigadores encontraram, no dia 26 de maio, durante uma batida policial, na bandeija da impressora de Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais de Witzel, a minuta de um termo de encerramento de contrato da empresa Quali Clínicas com o escritório da mulher do governador.

A Quali, segundo as investigações, foi uma das empresas usadas para dissimular o desvio de dinheiro do Estado. No total, a empresa pagou R$ 102 mil ao escritório de Helena Witzel.

As informações que estão no STJ indicam que Lucas Tristão, que foi braço direito de Witzel no governo, tinha papel de proa na organização do esquema que teria servido para lavar dinheiro desviado de contratos firmados pelo Estado com uma série de empresas durante a gestão Witzel. 

Os registros da investigação mostram que, para os investigadores, que não faz sentido que a minuta de rescisão de um contrato do escritório de Helena Witzel tenha sido encontrado com Tristão, já que ele não tinha ligação com a banca da mulher do governaodor nem vínculo formal com a Quali. 

Amplitude

A rede de sócios da Quali fornece pistas da amplitude do esquema investigado no Rio de Janeiro. A empresa tem como como sócio João Marcos Borges Mattos, que chegou a ser subsecretário de Educação na gestão Witzel. Outras duas mulheres são sócias da empresa: a mulher de João Marcos e a filha dele, que é servidora comissionada da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em entrevista coletiva, o governador do Rio negou as acusações e disse que os contratos de sua mulher são lícitos. Ele também desafiou as autoridades a apontarem uma ato dele, pessoal, com indício de crime.