Investigação não é política, e Cristiane Brasil recebeu propina, diz promotor

"O timing da investigação não está preocupado com a questão eleitoral", afirma Claudio Calo, descartando conexão com pré-candidatura dela à Prefeitura

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
11 de setembro de 2020 às 21:34 | Atualizado 11 de setembro de 2020 às 21:35

O promotor Claudio Calo, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), rebateu em entrevista à CNN, as críticas feitas pela ex-deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), de que a Operação Catarata II, deflagrada nesta sexta-feira (11), tenha qualquer relação com o processo eleitoral de 2020.

Cristiane Brasil é filha do presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, e pré-candidata a prefeita do Rio de Janeiro. Em vídeo nas redes sociais, antes de se entregar à polícia para ser presa, a política afirmou que a Promotoria teria a intenção de prejudicar a sua candidatura.

"O timing da investigação não está preocupado com a questão eleitoral", disse Calo em entrevista aos âncoras Monalisa Perrone e Caio Junqueira e ao colunista Fernando Molica.

Segundo o promotor, a denúncia contra os investigados da operação foi apresentada no começo de agosto, e os mandados de prisão e de busca deferidos na terça-feira (8). 

Calo ainda respondeu a outras duas afirmações feitas pela ex-deputada Cristiane Brasil, a de que os fatos contra ela seriam antigos e a de que ela não teria sido ouvida no processo antes da denúncia e da prisão.

O promotor argumentou que, apesar de Cristiane Brasil ter assumido secretaria na Prefeitura do Rio em 2013, a investigação começou apenas em 2019 e a prisão foi determinada depois do inquérito apurar crimes que continuaram sendo praticados ao longo dos anos.

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"Não é um fato de 2013 apenas. O fato de 2013 é um start", justificou Calo. "Ela continuou com vínculos estreitos com o núcleo privado da organização criminosa."

A respeito da ordem do processo, Claudio Calo disse que o MP não tem a "obrigação" de ouvir todos os investigados antes de oferecer a denúncia, porque isso pode impedir a coleta de provas. Segundo ele, isso passa acontecer a partir de agora, quando os eles se tornam réus.

Contratos e propinas

Segundo o promotor, a investigação não iniciou mirando políticos, mas sim sinais de irregularidades em contratos da empresa Servilog com o poder público. Dessa apuração, diz, ficaram evidenciados dois esquemas de corrupção diferente.

O primeiro a ser percebido é da Fundação Leão XIII, sob a influência de Pedro Fernandes (PSC), então deputado estadual e hoje o secretário de Educação do Rio de Janeiro.

Esse foi o fio para que os investigadores descobrissem, segundo o promotor, esquema semelhante de fraude em licitações na Prefeitura do Rio de Janeiro, na secretaria que foi dirigida pela ex-deputada.

Claudio Calo argumenta que, mesmo após 2014, quando Cristiane Brasil deixou o posto de secretária para concorrer à Câmara, a política do PTB manteve influência sobre os projetos contratados com a Servilog até 2017 e depois manteve a relação com a empresa a partir do esquema estadual.