'Educação não é terreno para guerra ideológica', diz ex-ministra


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 23:39

Para Claudia Costin, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministra da Administração do Estado, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) são positivos, apesar de quase todos os estados brasileiros não terem alcançado a meta estabelecida para o ensino médio.

A especialista enfatiza que pela primeira vez houve uma melhora em todas as faixas de ensino, infantil, fundamental e médio. Agora, o necessário é intensificar a velocidade desse progresso, argumenta.

"Ainda estamos muito aquém, mas essa melhora improtante sinaliza que pelo menos estamos seguindo uma trajetória meritória, boa. O que nós precisamos é pisar no acelerador", disse a diretora do Centro de Inovação em Políticas Educacionais da FGV.

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Costin argumenta que a melhora se deve ao fato de os governos estaduais terem priorizado nos últimos anos a escolha de nomes técnicos para o comando das secretarias de educação. 

"A educação não é terreno para guerra ideológica, para factoides, é terreno para gestão sólida", defende, em entrevista ao âncora da CNN William Waack.

A professora explica que o problema do Brasil mudou. O país ainda tem evasão escolar, sobretudo no ensino médio, mas agora os governos devem priorizar a melhora da retenção de conteúdo. "Se saíram bem aqueles secretários que focaram em melhorar aprendizagem", conclui.

De acordo com os números do Ideb, o país não atingiu a meta de 5 pontos, ficando em 4,2 pontos, que era o objetivo estabelecido no Plano Nacional de Educação (PNE) para cinco anos atrás.

Cada estado possuía uma meta especifica, relacionada às suas condições locais. Das 27 unidades da federação, apenas o estado de Goiás atingiu a sua.