TRF-2 decidirá sobre investigação contra ex-advogado de Flávio Bolsonaro 

Victor Granado Alves foi chamado para depor como testemunha na investigação do MPF sobre o suposto vazamento da operação Furna da Onça

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
18 de setembro de 2020 às 17:17

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região analisa na próxima quarta-feira (23) se o advogado Victor Granado Alves pode ser investigado pelo Ministério Público Federal na apuração sobre suposto vazamento da operação Furna da Onça para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).  

Alves é uma das pessoas que, segundo o empresário Paulo Marinho, participou de uma reunião na porta da Polícia Federal em 2018 na qual um delegado informou que Fabrício Queiroz aparecia em um documento dentro da investigação.

Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, afirmou em entrevistas, e em depoimento ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, que ao saber disso, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exonerou Queiroz. 

No dia 27 de maio, Alves foi chamado para depor como testemunha na investigação do MPF sobre o suposto vazamento e ficou em silêncio, alegando  sigilo profissional (ele foi advogado de Flávio Bolsonaro).

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Diante disso, o MPF converteu sua condição de testemunha para investigado, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com pedido na Justiça para suspender a apuração. Em julho, o desembargador Paulo Espírito Santo concordou com o pedido da OAB e impediu Victor de prestar novo depoimento, travando a investigação. 

Agora, o caso será analisado pelos três desembargadores que compõem a 1ª Turma Especializada da corte. O MPF considera fundamental o depoimento de Granado Alves para poder encerrar as investigações. Enquanto isso, os investigadores tentam reverter decisão da Justiça Federal que negou a quebra do sigilo telemático do ex-advogado de Flávio e das outras pessoas que teriam estado na porta da PF.

Na semana passada, a CNN mostrou que o MPF recebeu registros de entrada e saída da superitendência do Rio em outubro de 2018 — naquele mês teria ocorrido a reunião em que teria acontecido o vazamento. 

Victor Granado Alves é uma das dezenas de pessoas que tiveram sigilo bancário quebrado em uma outra investigação, do Ministério Público Estadual, sobre a suspeita da prática de “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era senador. 

A CNN entrou em contato com a defesa de Victor Granado Alves, mas ainda não teve resposta até a publicação desta reportagem.