Chapa de Covas aposta em 'exército' de quase 800 candidatos a vereador em SP

Segunda maior coligação em disputa na cidade é de Márcio França, com cerca de 400 postulantes à Câmara

Pedro Duran, da CNN, em São Paulo
24 de setembro de 2020 às 19:10
Bruno Covas tentará a reeleição em São Paulo
Foto: Governo do Estado de São Paulo

Com 11 partidos, incluindo o PSDB, o prefeito de São Paulo Bruno Covas terá uma das maiores chapas de vereadores do Brasil. O número é consequência de uma combinação de fatores, além do tamanho da coligação, há ainda a capacidade de recrutamento dos partidos e as novas regras impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O arco de alianças costurado pelo candidato à reeleição terá além do PSDB, o PP, MDB, Podemos, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV e PROS. Articuladores da campanha de Covas disseram à CNN que a expectativa é de ter nesse 'exército' de vereadores, uma vantagem sobre os outros candidatos à prefeito nesta eleição. Internamente, tucanos comparam essa legião de cabos eleitorais a uma infantaria, com “soldados de chão”.

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A segunda maior coligação, é de Márcio França, candidato pelo PSB, que terá com a legenda dele, 6 partidos. A chapa poderia lançar 498 candidatos, mas dois partidos da aliança não conseguiram completar a lista e o candidato terá cerca de 400 postulantes à Câmara.

A limitação é consequência das novas regras do Tribunal Superior Eleitoral, que determinam o teto de uma câmara e meia por partido. Na prática, uma cidade cuja câmara municipal tem 6 vereadores, por exemplo, permite que os partidos lancem 9 vereadores, no máximo. No caso de São Paulo, são 55 cadeiras no parlamento municipal. Isso equivale ao máximo de 82,5 candidatos a vereador por partido. Como o número é quebrado, o órgão arredonda para cima. Assim, cada partido tem o direito de lançar até 83 postulantes à câmara paulistana.

Estratégia de ocupar espaço

O ano de 2020 terá uma das campanhas eleitorais mais curtas da história da democracia brasileira. O calendário eleitoral foi enxugado pela pandemia do coronavírus e forçou os partidos a mudarem a estratégia eleitoral. Ao mesmo tempo, as coligações proporcionais foram vetadas. Isso significa que os votos para vereadores não vão pra conta das chapas, mas sim dos partidos. A reforma eleitoral impede, entre outras coisas, que os votos direcionados a um partido possam acabar entrando na conta de candidatos de outra legenda. Assim, partidos que tem tradicionalmente uma coligação mais ampla, entrarão na eleição sozinhos. No caso do PT, de Jilmar Tatto, por exemplo, a lista submetida terá 83 vereadores, porque em voo solo, eles não podem apresentar outros nomes.

O presidente do PSDB, Fernando Alfredo, explica que escolheu espalhar os candidatos a vereador pela cidade pra ajudar a candidatura de Covas 'ocupar espaço' nos bairros e marcar presença. "Mesmo com a pandemia nós tivemos 142 inscritos, sendo um terço de mulheres, por isso fizemos um processo seletivo com entrevistas. Foram vários critérios, como entender o PSDB, posição política, avaliação sobre o governo Bolsonaro, qualificação, atuação na comunidade", disse Alfredo à CNN. "A gente esparramou a chapa na cidade, então tem candidato nos quatro cantos de São Paulo", completou.

A estratégia de Márcio França foi o inverso. Em vez de contar com os vereadores para ajudar a impulsionar o candidato à eleição majoritária, a aposta é que o nome dele renda votos aos outros componentes da chapa. "Os vereadores apostam muito na onda do Márcio França, que ganhou a eleição do Doria aqui na capital. Na prática, 60% da cidade votou nele na última eleição. Quem diria que o PSL faria 15 deputados estaduais? Ninguém. Foi na onda do Bolsonaro. Então espero que todo mundo possa na pujança do MF, ocupar espaço na mídia e se eleger", explica o filho do candidato do PSB, o deputado estadual Caio França. Ele se refere à eleição de 2018, em que João Doria derrotou Márcio França na corrida ao governo, mas teve apenas 42% de votos na cidade, contra 58% de França.

Puxadores de voto

Outra figura que ganha importância com os partidos limitados a um número reduzido de candidatos são os puxadores de voto. É assim que são chamados os candidatos-estrela, apostas dos partidos para conseguir muitos votos e ajudar a eleger outros colegas de legenda. Foi o que aconteceu com o ex-senador Eduardo Suplicy, em 2016, quando ele atingiu a marca de 301.446 votos, tornando-se o mais votado da história da cidade, ajudando a inflar a votação da bancada que hoje tem 9 vereadores.

Na chapa de Covas, as apostas são na ex-atleta Maurren Maggi (DEM), em Mário Covas Neto (Podemos), que foi candidato ao Senado, no ator Thammy Miranda (PL), que estrelou uma campanha nacional de uma marca de cosméticos, na volta do empresário conhecido como 'Turco Louco' pelo próprio PSDB e em Dedé, dos Trapalhões, filiado ao PTC. Os articuladores da campanha ainda apostam no potencial eleitoral de outros tucanos como Eduardo Tuma, João Jorge, Reginaldo Tripoli e Carlos Bezerra.

No caso de França, as fichas estão sobre o ex-atleta Diego Hypólito, filiado ao PSB. Os números em redes sociais também contam. É nisso que aposta o Avante, que lançará o policial militar Sargento Alexandre, que tem 180 mil seguidores no Instagram. Aliado à França, o PDT aposta em mulheres para conseguir uma cadeira na câmara de São Paulo, por isso vai relacionar entre as candidatas a engenheira Thabata Ganga e a internacionalista Barbara Panseri. Outro partido do arco de França, o Solidariedade, aposta no advogado Sidney Cruz.

Quantos votos por cadeira?

Câmara Municipal de São Paulo
Foto: André Bueno/CMSP

Os postulantes a cadeiras na câmara já fazem as contas de quantos votos precisam ter para ocupar uma cadeira no parlamento municipal. A cidade de São Paulo tem 9,1 milhões de votos. Excluindo os ausentes, brancos e nulos, as campanhas calculam de 4 a 5 milhões de votos válidos. Depois da votação, o número é será dividido pelas 55 cadeiras da câmara. Supondo que os votos válidos sejam 4,5 milhões, seriam 81 mil votos por cadeira.

Ou seja, um partido que fizesse 70 mil votos somando todos os candidatos não elegeria nenhum vereador. Já o que fizesse 170 mil votos, teria duas cadeiras.

Depois que as vagas forem divididas por todos os partidos que atingirem o coeficiente eleitoral, as que sobrarem vão, em ordem, para os partidos que tiverem as maiores votações e consequentemente fizerem as maiores bancadas. Neste caso, levam vantagem os partidos com mais vereadores.

Em São Paulo, os partidos calculam cerca de 80 a 90 mil votos por cadeira e acreditam que a nota de corte para partidos maiores, como PT e PSDB vai ficar em cerca de 30 mil votos. Já os partidos menores podem eleger quem fizer mais de 20 mil votos. Isso porque os candidatos mais bem votados acabam acumulando também os votos dos menos votados para compor o coeficiente das cadeiras.