Não há nenhuma ameaça à soberania nacional, avalia ex-embaixador sobre Amazônia

Para Rubens Barbosa, apesar da política ambiental ser hoje um tema global, governo brasileiro ainda não se deu conta disso

Da CNN, em São Paulo
30 de setembro de 2020 às 22:40

Ao contrário do que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acredita, o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa enxerga que não há nenhuma ameaça à soberania brasileira em questões que dizem respeito à Amazônia. 

O democrata Joe Biden prometeu, durante o primeiro debate presidencial dos Estados Unidos nessa terça-feira (29), US$ 20 bilhões para combater o desmatamento na Amazônia. Ele também sugeriu aplicar sanções econômicas caso o país não preserve a floresta.

“Eu não vi uma ameaça de retaliação e sanções ao Brasil. O que ele [Biden] mencionou foi um assunto de política interna americana. Ele usou o exemplo do Brasil para mostrar que estão interessados na mudança da política econômica. E não há nenhuma ameaça à soberania porque o Brasil é que vai decidir se vai participar ou não desse empréstimo, se é que vai ser para a Amazônia”, avaliou em entrevista à CNN.

Nesta quarta-feira (30), ao discursar na Cúpula de Biodiversidade da ONU (Organização das Nações Unidas), Bolsonaro disse que seu governo mantém o compromisso com o desenvolvimento sustentável e gestão soberana dos recursos naturais nacionais.

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"Recordo que a convenção sobre a biodiversidade consagra o direito soberano dos Estados de explorarem seus recursos nacionais em conformidade com suas políticas ambientais, e é exatamente isso que pretendemos fazer com a enorme riqueza que existe no território brasileiro", declarou. 

Para Barbosa, apesar da política ambiental ser hoje um tema global, o Executivo brasileiro “ainda não se deu conta” disso.

“Se Biden ganhar a eleição vai mudar a política econômica e ambiental dos Estados Unidos, vai voltar a participar do Acordo de Paris e vai se juntar à Europa, fazendo pressão sobre os países que têm florestas e problemas ambientais, para reduzir o risco de aquecimento global”, falou.

“Isso é um tema global e não bilateral ou entre outros países. E o governo ainda não se deu conta”, pontuou.