Tendência é Senado derrubar decisão de Barroso de afastar Chico Rodrigues

Senadores criticaram o fato de uma decisão monocrática de um ministro do STF poder afastar um parlamentar eleito

Por Igor Gadelha, CNN  
16 de outubro de 2020 às 07:57 | Atualizado 16 de outubro de 2020 às 08:01

Embora se digam “constrangidos” com o episódio, senadores reagiram mal à decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, de afastar o colega Chico Rodrigues (DEM-RR), após a Polícia Federal encontrar R$ 33 mil em dinheiro vivo escondidos na cueca do parlamentar.

No grupo de WhatsApp do Senado e em conversas reservadas, vários senadores criticaram o fato de uma decisão monocrática de um ministro do STF poder afastar um parlamentar eleito. A decisão ainda será submetida ao plenário do Senado, que terá a palavra final.

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Senador Chico Rodrigues, do DEM de Roraima
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Entre os senadores que se manifestaram contra a decisão de Barroso, estão Ângelo Coronel (PSD-BA), Plínio Valério (PSDB-AM), Nelsinho Trad (PSD-MS), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Lucas Barreto (PSD-AP) e Vandelan Cardoso (PSD-GO).

Esses senadores evitam defender Rodrigues. O temor, na verdade, é de que, ao validar a sentença de Barroso, o Senado crie uma jurisprudência de que parlamentares poderão ser afastados por decisões monocráticas, o que pode vir a prejudicar outros senadores no futuro.

Ministros do governo e de tribunais superiores de Brasília com bom trânsito no Legislativo apostam que, com as sinalizações dadas por vários senadores, a tendência hoje seria o Senado rejeitar a decisão de Barroso, como fez com Aécio Neves em 2017.

Alcolumbre


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tem evitado se pronunciar sobre o tema até o momento. O discurso é de que só falará sobre o assunto e marcará a votação sobre a decisão de Barroso após ser oficialmente notificado, o que não tinha ocorrido até ontem.

Em articulação para viabilizar sua reeleição ao comando do Congresso, Alcolumbre, segundo aliados, não quer desagradar nem os parlamentares nem o Supremo, que deve julgar em breve uma ação que questiona a possibilidade de reeleição dele.

O presidente do Senado está desde a semana passada em Macapá, ajudando na campanha de seu irmão, Josiel Alcolumbre, a prefeito da capital amapaense. Mesmo com o incidente com Rodrigues, o senador só deve retornar a Brasília neste fim de semana.

Do Amapá, o presidente do Senado conversou por telefone com alguns líderes partidários nesta quinta-feira (15). Segundo interlocutores de Alcolumbre, ele lamentou o episódio e disse que o fato deixou a Casa em uma situação "extremamente complicada".