'Levar caso da Coronavac à Justiça não é bom para o país', diz Sidney Rezende

Comentarista avaliou impasse sobre a vacina de empresa chinesa após desautorização de Bolsonaro em decisão de Pazuello

Da CNN
22 de outubro de 2020 às 10:28 | Atualizado 22 de outubro de 2020 às 10:46

 

No quadro Liberdade de Opinião desta quinta-feira (22), Sidney Rezende avaliou o impasse sobre a compra da Coronavac, da empresa chinesa Sinovac, e que deve ser produzida em parceria com o Instituto Butantan. Veja também a participação de Alexandre Garcia.

Para o comentarista, há duas soluções possíveis após a desautorização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello: a união de governadores ou fazer o caso chegar à esfera judicial. Ele reprovou a segunda alternativa.

"Acho que esse caso vai terminar em um consórcio de governos estaduais para comprar essa vacina, caso ela seja aprovada depois. Ou ir para a Justiça, o que é uma outra história e isso não é bom para o país, já que queremos que a doença vá embora e tenhamos vacinas eficazes", defendeu Rezende.

Nessa quarta, a âncora Daniela Lima e a comentarista de política Renata Agostini, da CNN, informaram que parlamentares da oposição e governadores começaram a articular na Justiça a reação para garantir o acesso aos imunizantes contra a Covid-19. A Rede Sustentabilidade planeja ingressar com ação no STF.

Avaliando a postura de Pazuello, o comentarista da CNN afirmou que ele "cumpriu perfeitamente suas obrigações" e estava agindo de forma estratégica pela saúde pública.

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Sidney Rezende no quadro Liberdade de Opinião
Foto: CNN (20.out.2020)

"O presidente sabia que o ministro Pazuello estava inclinado a fazer essa aprovação de compra, quando a Anvisa assim o liberasse. O ministro estava apenas se antecipando a esta possibilidade, desta ou de qualquer outra vacina que demonstre eficácia", disse.

"Então o ministro da Saúde cumpriu, até essa fase, perfeitamente suas obrigações. Ele está pensando lá na frente, estrategicamente, até porque é um homem de logística", acrescentou.

No impasse, Rezende viu sinais de influência da disputa eleitoral de 2022. "E isso não interessa ao país. É muito ruim antecipar discussão sobre 2022, neste momento, para ações de governo e que mexem no campo institucional", classificou.

Kassio Marques 

Kassio Nunes Marques em sabatina no Senado, no dia 21/10/2020
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Rezende ainda avaliou a aprovação de Kassio Marques Nunes pelo Senado Federal para ocupar a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Ele analisou que o novo ministro não deve criar atritos, o que já demonstrou ao responder aos questionamentos dos parlamentares. "Ele não quis entrar em nenhum litigio maior, justamente porque sabia que, se o fizesse, tiraria do foco o que ele pretendia, que era a vitória",

"Não me parece um ministro que vai criar atritos e problemas, não. Todo novo ministro chega no Supremo devagarzinho, vai se habituando e, daqui a pouco, se solta um pouco", completou Rezende, que ainda classificou o desembargador como uma pessoa "política". "Achei ele bem em estágio adiantado de conhecimento do jogo político", declarou.

Aprovado por 57 votos a 10 no Plenário do Senado, Marques pode ser oficialmente nomeado ministro do STF e assumir seu cargo na Corte.

Por fim, Rezende comentou sobre o que muda na economia com a autonomia do Banco Central. A votação da proposta estava prevista para ir ao Senado nessa quarta (21), mas foi adiada para o dia 3 de novembro.

Também com participação de Alexandre Garcia, o Liberdade de Opinião vai ao ar diariamente na CNN com transmissão simultânea na CNN Rádio.

(Edição: André Rigue)