Bolsonaro diz que Doria é 'tanto quanto autoritário' e quer vacina 'na marra'

Presidente voltou a criticar governador paulista por defender vacinação obrigatória contra Covid-19

Bruno Silva e Gabriel Hirabahasi, da CNN em Brasília
30 de outubro de 2020 às 18:32
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
Foto: Ueslei Marcelino - 07.out.2020 / Reuters

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar, nesta sexta-feira (30), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada nesta sexta (30), Bolsonaro disse que o estado de São Paulo tem um governo “um tanto quanto autoritário”.

O presidente criticou Doria por defender a vacinação obrigatória contra a Covid-19, uma vez que um imunizante contra o novo coronavírus esteja aprovado pelas autoridades sanitárias.

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Bolsonaro disse não saber qual adjetivo daria para quem “na marra [...] já fala em aplicar uma vacina que ninguém ainda falou que ela está 100% comprovada cientificamente, diferente da hidroxicloroquina que existe há quase 50 anos no Brasil”.

“Agora falou que ia vacinar os 46 milhões, não sei... Não tem autoridade pra isso, né?”, disse. Segundo Bolsonaro, o governador João Doria “quer vacinar o pessoal na marra rapidinho, porque vai acabar, daí ele fala que acabou por causa da minha vacina”.

Bolsonaro e Doria voltaram a divergir publicamente por causa da vacina contra a Covid-19 nas últimas semanas. No dia 21 de outubro, o presidente decidiu desautorizar o Ministério da Saúde, que havia assinado um acordo com o Instituto Butantan (órgão ligado ao governo do estado de São Paulo) de intenção de compra que vem sendo desenvolvida pelo instituto junto à farmacêutica chinesa Sinovac.

À época, o presidente da República se referiu ao imunizante, nas redes sociais, como “a vacina chinesa de João Doria” e disse que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”. 

Na noite de quinta-feira (29), em sua live semanal, Bolsonaro disse que “ninguém vai tomar sua vacina [Coronavac] na marra. E eu, com o dinheiro do povo, não vou comprar sua vacina, não”.