Radar Político: Coronavac dá força a Doria em 2022 e o Planalto sabe disso

Presidente Jair Bolsonaro e seus auxiliares sabem que se vacina do Instituto Butantan for bem-sucedido, governador de São Paulo, João Doria, se fortalecerá

Da CNN
10 de novembro de 2020 às 13:23 | Atualizado 10 de novembro de 2020 às 13:24

No quadro Radar Político, da CNN Rádio, desta terça-feira (10), Caio Junqueira, Fernando Molica e Igor Gadelha analisam a suspensão do estudo clínico da Coronavac e os motivos para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ser tão crítico ao imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac.

“A vacina ela é super importante por motivos óbvios. Mas vamos analisar politicamente: ela é um tiro de canhão eleitoral, tem o potencial de colocar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), como franco favorito para ir um segundo turno em 2022 – ela é muito forte como ativo político”, disse Junqueira.

“O presidente Bolsonaro e o Palácio do Planalto sabem disso e criam algumas dificuldades, ao menos na narrativa, ao questionar a possibilidade de que ela seja eficaz”, completou.

Molica destacou, no entanto, que Bolsonaro teve a oportunidade de se associar ao governo de São Paulo, financiando, por exemplo, os testes do Instituto Butantan, mas preferiu seguir no sentido contrário.

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“A vacina é um canhão na mão do Doria, mas quem jogou esse canhão foi o Bolsonaro. Ele podia ter se aliado ao governo de São Paulo nessa iniciativa, ido lá um dia, feito fotos, liberado uma verba para o Butantã. Isso diminuiria esse conteúdo político, mas o presidente preferiu radicalizar”, afirmou.

Ele destacou ainda que, após a entrevista coletiva do diretor do Butantan, Dimas Covas, agora há uma dúvida sobre os motivos que levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender os testes.

“Isso é muito grave porque, até ontem, a gente estava preocupado em saber se as vacinas funcionariam. Agora, há uma dúvida também sobre a correção da Anvisa - se está ou não se comportando de forma política. E isso é muito grave em meio a uma pandemia.”

Igor Gadelha, Caio Junqueira e Fernando Molica comandam o Radar Político, na CNN Rádio
Foto: CNN Brasil

Por fim, Gadelha afirmou que abriu o jogo e tornou público que encara a questão da vacina como uma questão política e que vê chances – se a Coronavac vingar –  de Doria “ficar com todos os louros”.

“Ontem [segunda-feira], o presidente aproveitou essa decisão de suspender os testes e deixou muito claro sua divergência. Isso foi até mal avaliado por alguns auxiliares, que acham que ele deixou o jogo político muito claro e isso pode pegar mal”, disse.

“Aqui em Brasília, como a gente sabe, o presidente até escuta seus auxiliares, mas só faz mesmo o que dá na cabeça dele.”