Crivella responde a perguntas sobre pandemia, corrupção e educação na CNN

Na tarde de segunda-feira (16), o candidato Eduardo Paes (DEM) comunicou a CNN de que não compareceria ao debate por problema de agenda

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
17 de novembro de 2020 às 22:18 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 22:30

 

O atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos), participou nesta terça-feira (17) de entrevista ao vivo na CNN, no horário em que teria sido veiculado o primeiro debate entre os candidatos classificados para o segundo turno da capital carioca nas eleições municipais de 2020.

A data foi informada em reunião com as campanhas de todos os partidos no início de outubro. Na tarde de segunda-feira (16), o candidato Eduardo Paes (DEM) comunicou a CNN que não compareceria, em função de falta de tempo na agenda.

As regras do debate da CNN, enviadas às campanhas e à Justiça Eleitoral, previam que, em caso de ausência de um dos candidatos, o outro que estivesse presente seria questionado por 30 minutos. As perguntas feitas pela âncora da CNN Monalisa Perrone para Marcelo Crivella são as mesmas que teriam sido feitas aos dois candidatos caso o debate fosse realizado.

Pandemia

Sobre as medidas a serem adotadas diante de uma possível segunda onda da pandemia da Covid-19, o candidato Marcelo Crivella afirmou que poderia eventualmente adotar novas medidas de distanciamento social, mas que não acredita que a cidade do Rio vá viver essa segunda onda aos moldes do que tem sido registrado em países da Europa.

"Se isso ocorresse, poderia se pensar nisso [fechamento de unidades], mas no Rio de Janeiro não há menor hipótese de isso ocorrer. De 500 leitos abertos, hoje eu tenho 400 vagas disponíveis", disse Crivella à CNN.

"Tivemos aumento nas consultas, na atenção básica, mas isso não se transformou nem em aumento de internação nem na ocupação dos leitos de UTI.”

O candidato disse não ter “nenhuma perspectiva de lockdown ou nada do tipo. Até porque fechamos apenas o comércio, deixando abertas as atividades essenciais."

Crivella exaltou a compra antecipada de equipamentos que diz ter feito na cidade antes da pandemia e afirmou que pôde abastecer rapidamente um hospital de campanha e ajudar cidades no entorno da capital fluminense. 

Assista e leia também:

Covas prioriza economia e Boulos temas sociais em 1º debate do segundo turno
RealTime Big Data: Paes tem 71% dos votos válidos no Rio e Crivella, 29%
Votação no Rio tem maior abstenção dos últimos 20 anos

Desemprego

O candidato disse que sua administração foi dificultada por problemas fiscais deixados pelo governo do antecessor, o ex-prefeito e adversário Eduardo Paes.

"O prefeito anterior endividou o Rio de Janeiro com a Olimpíada e não deixou legado nenhum", criticou o candidato do Republicanos. Segundo Crivella, foi por essa razão que ele promoveu aumentos de IPTU ao longo da sua atual gestão como prefeito.

O candidato prometeu, caso reeleito, anular esse aumento com o objetivo de aquecer a economia do Rio de Janeiro. Crivella também prometeu realizar a modernização da iluminação pública e a instalação de pontos de Wi-Fi gratuitos.

"Eu mandei um projeto de lei para a Câmara Municipal propondo que os moradores do Rio de Janeiro recebam, em 2021, o carnê de IPTU que receberam em 2018. E em 2022, o carnê que receberam em 2017. Com isso, a gente anula esse aumento, para que esse desconto se transforme em consumo", disse.

Corrupção

A terceira pergunta tratou de investigações e menções aos dois candidatos em inquéritos que apuram desvios de dinheiro público. Crivella foi questionado sobre as relação dele com o empresário Rafael Alves.

"O que é que ela tem contra mim? Ligação de um rapaz chamado Rafael Alves, que nunca foi meu funcionário, com outro rapaz, chamado Marcello Faulhaber. Nunca foram empregados da Prefeitura. Dizendo que queriam nomear pessoas, adiantar pagamentos. Nunca aconteceu. Eles reclamam, eles brigam comigo", argumenta.

Para o atual prefeito, as acusações imputadas ao ex-prefeito Eduardo Paes são mais graves por integrarem investigações da Operação Lava Jato e abordarem delações de empreiteiras e executivos. "Não dá para comparar conta-gota com uma tromba de elefante", disse o candidato do Republicanos. 

Marcelo Crivella (Republicanos) candidato a prefeito do Rio de Janeiro (17.nov.2020)
Foto: CNN Brasil

Saúde

A quarta pergunta tratou de um levantamento do Ibope, que revela que o setor da saúde da cidade do Rio de Janeiro, dirigida nos últimos 11 anos por Crivella e por Eduardo Paes, é reprovada pelos cariocas. Também foi questionado sobre quem seriam os "Guardiões do Crivella".

Segundo o candidato do Republicanos, "as pesquisas do Ibope refletem paixões". O prefeito argumentou que os levantamentos pré-eleitorais do instituto o colocavam entre 11% e 12% das intenções de voto, que seriam muito distantes dos 21,90% que obteve nas urnas.

"O erro foi de 100%", dissm, comparando com a margem de erro informada pela pesquisa. 

A última pesquisa Ibope, divulgada na noite de sábado antes da eleição, mostrava Crivella com 16% das intenções de voto e três pontos percentuais de margem, o que o colocaria em intervalo de até 19%.

“Essas pesquisas não são feitas com as pessoas que usaram os hospitais" disse o candidato. "Quem usou o sistema público de saúde, sabe do valor heroico dos nossos médicos, sabe do valor heroico dos nossos enfermeiros e dos nossos técnicos".

O prefeito afirmou que a sua administração fez mais de 450 mil cirurgias e contratou 7 mil médicos. 

"Converse com os médicos, faça pesquisa com os enfermeiros, pesquisa com as 50 mil pessoas que fizeram cirurgia de catarata. Faça pesquisa com quem usou o hospital, não com quem é manipulado pela 'Globolixo'", disse.

Crivella falou que a cidade, sob a sua administração, alcançou uma taxa de mortalidade que considera baixa pela Covid-19, de 0,01% da população, segundo o prefeito. 

Educação

A quinta pergunta tratou do ensino público. Marcelo Crivella foi questionado sobre a alta preocupação dos cariocas com a educação, de acordo com levantamento do instituto Ibope, e também sobre o fato de o Rio de Janeiro ter apenas o décimo melhor resultado entre as capitais no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mesmo tendo o segundo maior orçamento.

Segundo o prefeito e candidato à reeleição, o problema na educação do Rio é derivada da segurança pública. 

“Herdei um sistema que era pior que o meu. No Rio de Janeiro, temos o problema sério de ter escolas em comunidades onde há tiroteio", disse.

"Isso causa uma instabilidade enorme em professores e em crianças e faz com que haja uma disparidade que se reflete no Ideb", argumenta. Marcelo Crivella diz ainda que, em seu governo, o nível de reprovação caiu, a aprovação subiu e foi reduzida a evasão escolar.

Crivella disse ter adotado aulas pela televisão, aplicativos para ensino à distância e a instalação de redes de internet em todas as escolas da cidade. 

O prefeito disse ter chamado professores concursados que aguardavam a convocação e também ampliado o horário de trabalho dos professores. Crivella disse também ter melhorado a alimentação e o fornecimento de uniformes.

O prefeito disse que a educação e a segurança também são derivadas do problema de corrupção.

 "O que ocorre é que essa violência toda tem a ver com a corrupção que eu denunciei. Nós somos epicentros da corrupção", disse. "Portanto, rapazes, homens, mulheres, de fuzil nos morros não respeitam as autoridades, por causa da corrupção", conclui.

Rejeição

A sexta e última pergunta tratou de pesquisa do instituto RealTime Big Data, encomendada pela CNN Brasil, que verificou que o candidato Marcelo Crivella é rejeitado por 68% dos cariocas, enquanto o candidato Eduardo Paes é rejeitado por 40%. Crivella foi questionado sobre como reverter esse cenário, faltando apenas 12 dias para a votação.

O candidato voltou a dizer que os institutos de pesquisa erram. Segundo o postulante, 45% dos eleitores cariocas não votam, entre os que não comparecem, votam em nulo ou em branco. Ele disse que os institutos fazem os levantamentos apenas entre os outros 55%.

Segundo Crivella, "se você considerar que são 100%, você vai ver que, de 100%, esses 75% vão cair para 20%, 20 e poucos porcento". 

"As pesquisas usam esses números de maneira errada. Não existe rejeição de 70%, isso é impossível, não tem como", afirmou.

"As pessoas acham que, no Rio de Janeiro, a população, de cada 10 pessoas, sete rejeitam o governo, conversa fiada, isso é papo furado", disse. 

"Aritmeticamente, você pode dizer que sim, mas não é factível. É a mesma coisa que acontece com essas bobagens da rejeição."

O prefeito Marcelo Crivella afirma que os institutos não fazem pesquisas ouvindo os eleitores das comunidades, onde estariam mais seus apoiadores. 

O candidato do Republicanos afirma que os eleitores com ensino superior foram representados em nível mais amplo do que de fato estão presentes na população do Rio.