Sergio Moro e Santos Cruz prestam depoimentos

Moro prestou depoimento no dia 12 de novembro; o eixo central do questionamento foi sobre manifestações antidemocráticas

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
19 de novembro de 2020 às 21:26 | Atualizado 19 de novembro de 2020 às 21:55

 

Dois ex-ministros do governo Jair Bolsonaro que saíram atacando o presidente prestaram depoimentos no inquérito dos atos antidemocráticos: o general Santos Cruz, que comandou a Secretaria de Governo, e Sergio Moro, ex-ministro da Justiça.

No depoimento, a que a CNN teve acesso (veja a íntegra abaixo), Santos Cruz negou ter tomado conhecimento de que integrantes do governo estavam relacionados à organização dos chamados atos democráticos. O depoimento foi prestado no dia 6 de outubro. 

"Indagado se o depoente, durante o período que atuou como Secretário do Governo, tomou conhecimento, por qualquer meio, do emprego de tal estrutura ou as ações decorrentes foram, de qualquer maneira, dirigidas a tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados, respondeu QUE não tomou conhecimento de tais fatos; Indagado se o depoente, durante o período que atuou como Secretário do Governo, tomou conhecimento, por qualquer meio, de que tal estrutura ou as ações decorrentes foram, de qualquer maneira, dirigidas a tornar públicos quaisquer desses fatos, ou seja, a incitação das Forças Armadas aos poderes, ou a imputação de fato definido como crime ou de fato ofensivo à reputação dos presidentes da Câmara, do Senado ou do STF, ou a tentar impedir o livre exercício de quaisquer dos poderes mediante grave ameaça, respondeu QUE não tem conhecimento de tais fatos; Indagado se o depoente, durante o período que atuou como Secretário do Governo, tomou conhecimento, por qualquer meio, de que tal estrutura ou as ações decorrentes foram, de qualquer forma, dirigidas incitar a prática desses fatos, ou seja, promover mais incitação das Forças Armadas aos poderes, ou novas imputações de fato definido como crime ou de fato ofensivo à reputação dos presidentes da Câmara, do Senado ou do STF, ou a novas formas de tentar impedir o livre exercício de quaisquer dos poderes mediante grave ameaça, respondeu QUE não tem conhecimento de tais fatos."

O general Carlos Alberto Santos Cruz
Foto: Marcello Casal Jr.

Santos Cruz também foi questionado sobre as acusações do deputado federal Alexandre Frota de que havia pressão para que o governo apoiasse com verbas publicitárias veículos favoráveis ao governo. Ele negou.

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"Indagado sobre as declarações prestadas pelo Deputado Federal ALEXANDRE FROTA sobre eventual pressão feita por pessoas ligadas ao governo para que o depoente apoiasse canais de apoio ao governo federal ou ao Presidente Jair Bolsonaro, respondeu QUE não houve, durante o período em que o declarante esteve no comando da SEGOV, qualquer tentativa de pressão para que a SECOM apoiasse canais ou pessoas que apoiam o Governo Federal; QUE acredita que talvez o DEPUTADO esteja falando de comentários veiculados na imprensa; QUE pessoas fabricaram noticias falsas a respeito do depoente, como print de conversas de WhatsApp, para tentar denegrir a imagem do depoente perante o Presidente JAIR BOLSONARO; Indagado sobre quem solicitou ou sugeriu que o depoente atuasse para proporcionar qualquer tipo de auxilio ou tratamento distinto a algum canal, respondeu QUE tal fato nunca aconteceu na gestão do depoente; QUE inclusive quando percebia alguma distorção na distribuição de verba para os veículos de comunicação, o declarante exigia justificativas, intervindo e determinando o equilíbrio; Indagado se o depoente sofreu alguma consequência em razão de não atender a esses pleitos ( ataques virtuais, exoneração do cargo etc.), respondeu QUE tais comentários saíram na impressa, mas que nunca ocorreu de fato durante a gestão do declarante; Indagado se o depoente, durante o período que atuou como Secretário do Governo, tomou conhecimento, por qualquer meio, da existência ou da identificação de uma estrutura montada com a finalidade de produzir e disseminar conteúdos por meio das redes sociais, respondeu QUE durante seu período na gestão da SEGOV, não tomou conhecimento de tais fatos."

Sergio Moro prestou depoimento no dia 12 de novembro. O eixo central do questionamento da PF a ele foi se ele sabia de alguma estrutura usada para disseminar informações sobre mas manifestações antidemocráticas. Moro negou conhecer essa estrutura.

Procurado, Santos Cruz disse que não iria se manifestar sobre o depoimento.

Íntegra do depoimento

Depoimento Santos Cruz
Foto: Reprodução
Depoimento Santos Cruz
Foto: Reprodução