Covas e Boulos fazem campanha na periferia de São Paulo neste sábado


Estadão Conteúdo
21 de novembro de 2020 às 16:22 | Atualizado 21 de novembro de 2020 às 18:58

Os candidatos à prefeitura de São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), fizeram campanha na periferia da cidade neste sábado (21). Boulos fez uma caminhada com militantes pela comunidade de Heliópolis - primeira agenda de rua após o anúncio da formação de uma frente de esquerda unindo o PSOL a outras sete siglas, como o PT e o PDT -, enquanto Covas caminhou na zona sul da capital na companhia da ex-prefeita Marta Suplicy. 

Covas aposta no apoio de Marta para conquistar votos na periferia, onde a ex-prefeita é popular. Por medida de segurança em virtude da pandemia do novo coronavírus, Marta, 75 anos, circulou dentro de uma caminhonete com paredes de acrílico, nos moldes do 'papamóvel'. Ao lado do marido, Márcio Toledo, a ex-prefeita dançou, acenou para eleitores e fez um discurso, sempre dentro do veículo.

Em 2016, o então candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, João Doria, só perdeu em duas das 58 zonas eleitorais da cidade: Grajaú e Parelheiros. Em ambas a derrota foi para Marta, que disputou a eleição municipal daquele ano. 

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Esses foram os dois bairros escolhidos para as agendas de hoje com o atual prefeito e a ex- prefeita, que aderiu à campanha de Covas no primeiro turno e coordena um movimento suprapartidário de apoio ao tucano. A presença dos dois causou aglomeração nas ruas do comércio dos dois bairros. 

Em uma breve entrevista coletiva em Parelheiros, o prefeito evitou se comprometer a integrar o movimento, liderado por Marta, de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro. 

"Cada momento sua aflição, 2022 vamos discutir no ano que vem", afirmou. O tucano também desconversou quando questionado se Marta terá espaço em um eventual segundo mandato. "Nenhum apoio foi negociado em troca de espaço na administração."

Por sua vez, Boulos e aliados falaram durante a caminhada sobre a importância da união da esquerda para derrotar o PSDB de Covas. E, de acordo com o candidato, uma eventual vitória sua na cidade indicará uma possível derrota do bolsonarismo em 2022. 

Além de vereadores do PSOL, o ato teve participação de lideranças petistas, como os deputados federais Alexandre Padilha, Vicentinho e também Carlos Zarattini - candidato a vice na chapa de Jilmar Tatto (PT) para a prefeitura, que acabou derrotada no primeiro turno.

"Se a gente ganha em São Paulo, é o começo da derrota de Bolsonaro e de João Doria em 2022", disse Boulos. "Tenho muito orgulho de ter recebido os apoios de sete partidos numa frente pela justiça social. Esta frente é um exemplo. Eu não escondo apoios. Eu tenho orgulho dos meus aliados e dos meus apoiadores. Covas esconde Doria e o vice (Ricardo Nunes)"

Para o deputado federal Vicentinho (PT-SP), a união das esquerdas para apoiar Boulos no segundo turno é uma "semente" para 2022. "Boulos já é uma grande liderança nacional e é uma grande reserva política e moral para o nosso país. Isso aqui (união das esquerdas) é a semente de uma árvore muito frutífera. Estamos exercendo um papel que será exercido para todo país."

A frente formada na sexta, nomeada "Frente Democrática Por São Paulo", une PSOL, PT, PDT, PSB, PCdoB, Rede, PCB e UP e é uma tentativa de empurrar Cova, que tem apoio de Celso Russomanno (Republicanos) e partidos do Centrão, para o campo do bolsonarismo. Lideranças nacionais como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B) já gravaram mensagens de apoio a Boulos. Apesar de o PSB integrar a rede, o terceiro colocado na disputa em São Paulo, Márcio França (PSB), optou pela neutralidade no segundo turno.

Durante o ato em Heliópolis, Boulos rebateu a fala do vice-presidente Hamilton Mourão de que "não há racismo no Brasil". Ao comentar o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, em um mercado da rede Carrefour em Porto Alegre, Boulos afirmou que foi "racismo puro". "Alguém consegue imaginar aquela cena com uma pessoa branca engravatada naquele mercado? Isso é racismo. É racismo puro."