'Milícias digitais' são versão contemporânea do autoritarismo, diz Barroso

Ministro do Supreme e presidente do TSE apontou esforço para desacreditar o processo eleitoral

Gabriela Coelho Da CNN, em Brasília
23 de novembro de 2020 às 12:31

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou nesta segunda-feira (23) as milícias digitais são uma versão contemporânea do autoritarismo, “procurando destruir as instituições e golpeá-las criando um ambiente propício para a desmocratização”. 

"Com muita frequência, muitas vezes mesmo nas democracias, há um esforço de desacreditar o processo eleitoral quando não favoreça essa crença, é o que hoje se observa segundo alguns atores nos EUA com a recusa de aceitação do resultado que já parece definido”, acrescentou, ao discursar no lançamento da draduação em Direito do Insper.

Para Barroso, “há uma onda populista, autoritária e conservadora radical no mundo levando autores chamando de retrocesso em todo o mundo.”  “O fenômeno é que a erosão da democracia se deu não por golpes de estados, mas por líderes políticos escolhidos por voto popular que provocam a erosão da democracia”, explicou. 

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No dia 15 de novembro, primeiro turno das eleições, o TSE confirmou que houve uma tentativa de atrapalhar a apuração das eleições. No entanto, o ataque não atingiu as urnas eletrônicas, que funcionam sem conexão com a internet. 

No entanto, os usuários do aplicativo e-Título ficaram sem acesso ao sistema durante todo o dia. O TSE afirmou que houve um ataque conhecido como DDoS, além de um furto de dados. Entretanto, o órgão afirma que nenhum dos incidentes colocou em risco a segurança dos votos ou identificação dos eleitores.

Segundo o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, o objetivo do hacker era derrubar os sistemas eletrônicos utilizados nas eleições. Este ataque é conhecido por “ataque distribuído para negar serviço”, e visa impedir a vítima de acessar a internet.

O ministro também pediu para que a população veja “positivamente” o processo eleitoral brasileiro. “Evitamos a prorrogação, conseguimos que o plano de segurança fosse observado sem disseminação da doença, conseguimos os resultados no mesmo dia com um atraso por problema técnico. Precisamos olhar positivamente”, disse.