Facilitar voto na pandemia poderia ter reduzido abstenção, diz especialista

Abstenção no segundo turno foi de 29%, seis pontos a mais do que no primeiro

Anna Satie, da CNN em São Paulo
29 de novembro de 2020 às 22:02
Eleitor vota em Recife
Foto: Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo (29.nov.2020)

O TSE informou que o segundo turno das eleições municipais neste domingo (29) teve 29% de abstenção — seis pontos acima da taxa do primeiro turno, quando os 23,1% registrados já representavam o maior índice desde 1996.

As maiores capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro, também obtiveram números recordes de ausências: de 30,81% e 35,45%, respectivamente.

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O número alto parecia já ser previsto pelo presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, que pediu aos eleitores que fossem às urnas em pronunciamento no rádio e na TV na véspera do pleito.

No entanto, para o professor de ciência política da UnB (Universidade de Brasília), Lucio Rennó, essa não era a única medida possível para aumentar o comparecimento nessa eleição fora do comum.

Lucio avalia que o salto no número de abstenções está definitivamente associado à pandemia do novo coronavírus, mas que o órgão poderia ter adotado medidas que facilitassem o comparecimento em meio à crise sanitária, como o aumento do número de dias de votação e votação antecipada.

“A única alteração que tivemos foi a prorrogação de horas e a alteração da data”, citou.

Para exemplificar, o professor cita as eleições na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, que, mesmo durante a pandemia, tiveram recordes de comparecimento.

“Não tem porque afirmar que [as eleições municipais] sejam menos motivantes, até porque, nas eleições municipais, as taxas de abstenção são menores do que na eleição presidencial”, declarou.

Abstenção nas eleições municipais

1996 18,3%
2000 14,9%
2004 14,2%
2008 14,5%
2012 16,4%
2016 17,5%
2020 23,14%

Lucio reconhece que há uma porcentagem que cresce constantemente de eleitores que não comparecem às urnas, mas que o salto deste pleito é fora do padrão que vinha ocorrendo.

“Se tem uma porcentagem crescente de eleitores que não tinham interesse [em ir votar], a pandemia reforçou essa tendência”, disse.