PT leva virada em São Gonçalo e frustra esquerda no RJ

Derrota de Dimas Gadelha para Capitão Nelson, do Avante, freia planos para a criação de um 'consórcio' de prefeituras nessa região do estado em parceria com PDT

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
30 de novembro de 2020 às 09:41 | Atualizado 30 de novembro de 2020 às 09:45
Dimas Gadelha (PT) durante a campanha para a prefeitura de São Gonçalo, no RJ
Foto: Divulgação/PT

Apesar de ter vencido o primeiro turno em São Gonçalo, segunda maior cidade em número de eleitores do estado do Rio de Janeiro, o PT levou uma virada na eleição de domingo (29) e perdeu a chance de comandar o município.

O petista Dimas Gadelha venceu a primeira parte da disputa com 31,36% dos votos válidos, mas na decisão foi derrotado por Capitão Nelson, do Avante, que conseguiu 50,79% dos votos válidos. Na reta final, ele contou com o engajamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de membros de sua tropa de choque como o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ). 

A derrota em São Gonçalo impede a consolidação de um “cinturão” de prefeituras de esquerda no Rio, resultado de um acordo inédito entre PT e PDT no estado.

Os partidos se apoiaram mutuamente e com sucesso nas campanhas de cidades próximas à São Gonçalo, como Niterói e Maricá, onde venceram respectivamente Axel Grael (PDT) e Fabiano Horta (PT). Houve, ainda, acordo para disputa em Cabo Frio, maior cidade da Região dos Lagos, onde venceu José Bonifácio, também do PDT. 

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Segundo fontes ouvidas pela CNN, a aliança pavimenta e abre caminho para o diálogo visando a disputa para o governo do Rio em 2022. A disposição das duas legendas em conversar, em meio à disputa pelo protagonismo da esquerda à nível nacional, foi elogiada por dirigentes partidários. No entanto, a derrota em São Gonçalo, inesperada, freia os planos para a criação de um “consórcio” de prefeituras nessa região do estado, que envolveria o compartilhamento de experiências e o desenvolvimento de políticas públicas, por exemplo. 

Pensando em 2022, uma ala do PDT, por exemplo, já prega o nome de Rodrigo Neves, atual prefeito de Niterói, como cabeça de chapa na disputa estadual. Ele foi elogiado pelo PT pela habilidade na construção dos acordos da esquerda no Rio. Por outro lado, o partido perdeu em Campos dos Goytacazes, maior cidade do interior do estado. 

Lá, Caio Vianna também sofreu uma “virada”e foi derrotado por Wladimir Garotinho (PSD), filho dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho. No entanto, a vitória de Wladimir depende da Justiça Eleitoral, que ainda dará a palavra final sobre problemas no registro de sua candidatura.