Em meio a indefinição de Maia, Republicanos rompe com presidente da Câmara 

Embora a decisão do Republicanos estivesse sendo discutida há alguns dias, o martelo só foi batido nesta quarta

Thais Arbex
Por Thais Arbex, CNN  
09 de dezembro de 2020 às 18:56 | Atualizado 09 de dezembro de 2020 às 20:43

 

Dias depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) vetar a possibilidade de reeleição no Congresso, o Republicanos, do deputado Marcos Pereira (SP), anuncia nesta quarta-feira (9) o rompimento com o grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

A princípio, Pereira vai apostar em sua própria candidatura, numa espécie de terceira via entre o grupo de Maia e o do deputado Arthur Lira (PP-AL). O presidente do Republicanos também está negociando a formação de um bloco e, segundo relatos, o Podemos já teria topado a aliança.

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Vice-presidente da Câmara, Pereira integrava a lista de possíveis candidatos do grupo de Maia, mas a decisão de sair do bloco informal foi tomada diante da indefinição do democrata. A CNN apurou que, nos bastidores, Maia vinha sinalizando a aliados que o presidente do Republicanos não era o seu preferido. 

Além de Pereira, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Luciano Bivar (PSL-PE) têm sido apontados como possíveis candidatos de Maia. 

Embora a decisão do Republicanos estivesse sendo discutida há alguns dias, o martelo só foi batido nesta quarta, após uma reunião com a bancada do partido --com 32 deputados, a sigla é a sexta maior da Câmara. 

Internamente, os parlamentares da legenda vinham cobrando uma definição de Marcos Pereira. A avaliação é a de que Maia, embora não tenha declarado apoio a nenhum dos candidatos de seu grupo, já teria uma definição e ela passaria longe do presidente do Republicanos. 

A avaliação no Congresso  é a de que a decisão do Supremo “zerou o jogo” para a disputa de 2021 e o DEM, antes à frente da Câmara e do Senado, terá de se reposicionar para não perder o controle da sucessão. 

O movimento de Pereira, dizem líderes do Congresso, pode ser apenas o início de uma desarticulação do bloco de Maia. Até dirigentes do DEM avaliam que o presidente da Câmara não pode retardar a escolha de seu nome para a disputa, sob o risco de ver seu cacife diminuir.