Conexão CNN: Governo vai liberar R$ 20 bi para vacinas. Mas para quais vacinas?

Assinatura da Medida Provisória já era esperada, mas a grande questão é justamente onde esse dinheiro vai ser aplicado

Da CNN
15 de dezembro de 2020 às 11:10

No quadro Conexão CNN desta terça-feira (15), na CNN Rádio, Thais Arbex, Iuri Pitta e Leandro Resende falaram sobre a iminente liberação de R$ 20 bilhões pelo governo federal para a compra de vacinas contra o novo coronavírus.

“Essa Medida Provisória já era esperada, já era esperado que o governo liberasse esses recursos para a compra de vacina. Mas a grande questão é justamente onde esse dinheiro vai ser aplicado, em quais vacinas, considerando todo o ambiente de disputa política que já se formou sobre quais vacinas podem estar disponíveis para a população brasileira”, disse Pitta.

“A da Pfizer/BioNtech tem uma situação mais favorável, há toda uma sombra de dúvidas sobre a da Coronavac e da vacina de Oxford, da AstraZeneca, tem uma série de questões sobre o estudo clínico em aberto que criam uma série de incertezas para nosso plano de vacinação”, completou.

Resende destacou, aliás, que os pesquisadores que ajudaram a elaborar o plano de vacinação do governo federal devem tratar desta questão nesta terça-feira, em reunião com o Ministério da Saúde.

“Um desses especialistas me disse que vão cobrar que o governo sinalize quais vacinas serão compradas. A avaliação que se tem hoje é que o governo fez uma aposta muito alta na vacina de Oxford, que acabou atrasando”, afirmou.

“Três países já estão vacinando com o imunizante da Pfizer e isso cria uma pressão para o governo com os recordes de casos e mortes e cada dia”, completou o jornalista.

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Por fim, Arbex detalhou duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) com objetivos opostos: definir se a vacinação deve ou não ser obrigatória.

“Uma delas é do PDT, em que o partido diz que a vacinação deve ser obrigatória e que cabe a estados e municípios garantir isso. Já a ação do PTB vai no argumento defendido pelo presidente [Jair Bolsonaro], de que não pode ser compulsória”, explicou a jornalista;

“O julgamento está previsto para começar na quarta-feira, no plenário físico. A avaliação do relator, ministro Ricardo Lewandowski, é que o STF tem que impor a chamada obrigação indireta, ou seja, permitir que estados, municípios e a união determinem que os brasileiros tenham que  tomar a vacina para ter acesso a algum tipo de serviço.”