Senado rejeita indicado do governo Bolsonaro para delegação permanente na ONU

Fabio Mendes Marzano foi reprovado para cargo em Genebra, na Suíça, após um desentendimento com a senadora Kátia Abreu (PP-TO) em sabatina

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
15 de dezembro de 2020 às 22:24 | Atualizado 15 de dezembro de 2020 às 23:26
O diplomata Fabio Mendes Marzano
Foto: Itamaraty

O Senado rejeitou nesta terça-feira (15) a indicação do diplomata Fabio Mendes Marzano para a delegação permanente do Brasil junto a ONU, na cidade de Genebra, na Suíça.

O nome de Marzano foi reprovado no plenário do Senado, por 37 votos a nove, e agora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deverá escolher um novo nome. O diplomata foi rejeitado em meio a críticas por um desentendimento com a senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Antes de ter o nome submetido ao plenário, os candidatos aos postos são sabatinados pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. 

Durante a sabatina, a senadora questionou o diplomata a respeito da postura do Brasil na questão ambiental e os seus impactos nas tratativas de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Fabio Marzano se recusou a responder, afirmando que não estava "mandatado" para falar do assunto e que esse tema não seria sua atribuição.

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Segundo a Agência Senado, essa postura do indicado foi tema dos discursos durante a sessão em que seu nome foi reprovado. O senador Major Olímpio (PSL-SP) argumentou que os senadores deveriam votar contra Marzano para defender o papel do Senado em sabatinar os candidatos.

"Lamento ter que tomar uma atitude dessa natureza, mas, primeiramente, respeito a uma senadora que, durante todas as sessões, de forma muito responsável, fez o que a maioria de nós não fez: estimular os candidatos a se posicionarem", disse o senador.

CNN procurou o Ministério das Relações Exteriores, mas não recebeu um retorno até a publicação desta nota.

O indicado

O diplomata Fabio Marzano é um dos principais assessores do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Atualmente, ele ocupa o cargo de secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do Itamaraty.

Presidentes da república fazem dezenas de indicações para cargos diplomáticos todos os anos. Reprovações como a que aconteceu hoje são raras.

A última vez que algo desse tipo aconteceu foi em 2015, quando Guilherme Patriota, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), foi rejeitado para representante junto à OEA (Organização dos Estados Americanos).