Os telegramas da embaixada sobre a vitória de Joe Biden

CNN tem acesso aos documentos enviados por Nestor Forster

da CNN, em São Paulo
16 de dezembro de 2020 às 21:29 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 21:39


Telegramas estão no meio de uma discussão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos. O analista de internacional da CNN Lourival Sant’Anna teve acesso a documentos enviados pelo embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, ao governo brasileiro depois da vitória de Joe Biden.

Forster, no decorrer das apurações, das medidas judiciais e dos movimentos de Donald Trump e Biden, relatou ao Itamaraty, por meio de telegramas, o que estava acontecendo.

O diplomata, em geral, não disse ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que o republicano venceria a eleição presidencial deste ano.

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O diplomata Nestor Forster
Foto: Divulgação/Embaixada do Brasil em Washington


A CNN obteve, com exclusividade, acesso a alguns telegramas do dia 1º de dezembro. Leia abaixo um deles: 

"Resumo = Informo. À luz de derrotas jurídicas e de avanço no processo de certificação de resultados, campanha de Trump passa a atribuir maior ênfase a pressões sobre autoridades do partido republicano e a apelos para que legislativos estaduais indiquem membros do Colégio Eleitoral.

Manifestações de lideranças legislativas republicanas sugerem baixa possibilidade de êxito da estratégia.

3. O único processo de recontagem ainda em curso ocorre no estado da Geórgia, que realiza uma segunda rodada de reanálise dos votos, a pedido da campanha do presidente. Não se espera que os resultados ao final da contagem revertam a vitória de Biden no estado.

O prazo para pedido de recontagem na Pensilvânia (onde Biden vencerá por cerca de 60 mil votos) expirou em 29/11; em Nevada (onde Biden vencerá por 35.500 votos), expirará hoje, 1/12, não havendo indicação de que Trump tencione solicitar recontagem no estado.

No atual cenário, não se vislumbra possibilidade de que os processos de recontagem venham a modificar resultados em qualquer estado-pêndulo em favor do presidente.

11. Sem a ação dos Legislativos estaduais na Geórgia, Pensilvânia e Michigan de indicar membros do Colégio Eleitoral - o que, à luz da certificação pelos governos estaduais, criaria dualidade de resultados eleitorais a ser resolvida pelo Congresso, em janeiro de 2021 -, não há possibilidade matemática de que a maioria de Joe Biden no Colégio Eleitoral seja revertida por tal expediente."

 

(Publicado por Sinara Peixoto)