MPF-RJ terá eleição para comando de novo grupo de combate ao crime organizado

Procuradores da instituição votarão, até esta sexta-feira (12) no novo chefe do Gaeco

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
08 de fevereiro de 2021 às 09:28 | Atualizado 08 de fevereiro de 2021 às 15:37
 

 

Com o fim anunciado da força-tarefa da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro vive dias agitados nos bastidores. Procuradores da instituição votarão, até esta sexta-feira (12) no novo chefe do recém-criado Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da instituição. 

Está prevista para a quarta-feira (10) a realização de um debate entre os dois procuradores que se inscreveram e são os candidatos ao posto: Eduardo El-Hage, que comandou a Lava Jato no Rio e esteve à frente do grupo que prendeu o ex-presidente Michel Temer e os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão; e Eduardo Benones, procurador que coordena o controle externo da atividade policial no MPF, e está à frente da investigação sobre uma suspeita de vazamento de uma operação da Polícia Federal para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele era candidato ao cargo, em 2018.

 

Cerca de 70 procuradores decidirão quem será o novo chefe das investigações sobre crime organizado no Rio. O grupo terá a tarefa, por exemplo, de continuar a investigação sobre os desvios na área da saúde que levaram ao afastamento do governador Wilson Witzel, no ano passado. 

 Ao contrário do Paraná, cuja força-tarefa da Lava Jato já foi incorporada pelo Gaeco, no Rio teve foi criada, por despacho do Procurador-Geral da República Augusto Aras no dia 29 de janeiro, uma comissão provisória, de transição entre os modelos. Até o dia 31 de março, 11 procuradores que atuam na Lava Jato do Rio estarão, ao mesmo tempo, na comissão que está dirigindo o processo de instalação do Gaeco no Rio. 

A Procuradoria-Geral da República informou que já viabilizou a criação de cinco Gaecos, em Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná e Amazonas. “As medidas fazem parte de um esforço para institucionalizar o trabalho de procuradores que atuam em investigações de grande porte e complexidade. Antes, o procurador natural para quem era distribuído um grande caso escolhia colegas de qualquer lugar do país para auxiliá-lo e pedia à PGR suas designações. Era, portanto, um modelo precário e sem a plenitude das garantias dos membros do Ministério Público”, diz a PGR.