Espero que Câmara avalie a gravidade da situação, diz Gilmar sobre Silveira

Ministro enfatizou que prisão do parlamentar foi referendada pelos 11 ministros do Supremo

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
18 de fevereiro de 2021 às 22:31 | Atualizado 18 de fevereiro de 2021 às 22:49

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (18), em entrevista à CNN, que espera que a Câmara dos Deputados considere "a gravidade da situação" ao analisar a manutenção ou não da prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

O magistrado ainda enfatizou que a decisão que prendeu Silveira, lavrada inicialmente apenas pelo ministro Alexandre de Moraes, foi confirmada de forma unânime pelo plenário do STF.

"Eu espero que a Câmara avalie a gravidade da situação e que de fato considere aquilo que foi decidido pelo ministro Alexandre inicialmente e depois pelo plenário, com os 11 votos", disse Mendes, entrevistado pelo âncora William Waack.

Daniel Silveira foi preso na terça-feira (16), após a divulgação de um vídeo com ameaças e ofensas ao STF. Por ser deputado federal, o parlamentar só pode ser preso em flagrante, com a ordem precisando ser analisada e confirmada ou não pela Câmara dos Deputados.

A sessão do plenário da Câmara que discutirá a prisão de Silveira está marcada para as 17h desta sexta-feira (19). Segundo apuração do colunista da CNN Caio Junqueira, o relator do caso, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), vai defender que Silveira permaneça preso.

Partidos do grupo conhecido como Centrão estimam que cerca de 350 deputados estejam inclinados a votar pela manutenção da prisão de Daniel Silveira. Apenas PSL, Podemos, Novo, Pros e PSC se manifestaram a favor da libertação do parlamentar.

O ministro do STF, Gilmar Mendes
Foto: Reprodução/CNN

Bolsonaro

Questionado se enxergava alguma relação entre as atitudes do deputado Daniel Silveira e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem o parlamentar é apoiador, Gilmar negou. "Não acredito que o Palácio do Planalto ou a Presidência da República tenha interesse em uma crise como essa", afirmou o ministro.

Gilmar Mendes, no entanto, não descartou uma relação entre a postura política do presidente e posturas como a do parlamentar. "O modo de fazer política, o modo de agir, esse modo agressivo, talvez estimule algumas pessoas a se comportarem dessa maneira", argumentou.