Relator pede suspensão de 6 meses de deputado acusado de assédio na Alesp

Emídio de Souza afirma que esforços da defesa não 'superam a nitidez das imagens transmitidas ao vivo pela TV Alesp'; votação está prevista para sexta-feira (5)

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
03 de março de 2021 às 12:49 | Atualizado 03 de março de 2021 às 12:52
Fernando Cury Isa Penna
Relator propôs suspender mandatado de Cury (E) por 6 meses; à direita, o momento em que ele toca a colega Isa Penna
Foto: Reprodução/Alesp

O deputado estadual Emídio de Souza (PT) propôs, nesta quarta-feira (3), a suspensão temporária por 6 meses do mandato de Fernando Cury (Cidadania) –  filmado em dezembro tocando a lateral dos seios da deputada Isa Penna (PSOL).

A recomendação de Souza, relator do caso no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi apresentada depois de serem ouvidas testemunhas dos deputados e um perito.

A defesa de Penna reafirmou que o episódio tratou-se de um assédio, “ato que repeliu prontamente, que se sentiu ofendida enquanto mulher, figura pública, esposa e deputada” e reforçou que o mandato da deputada é “dedicado à luta pela emancipação das mulheres e contra a violência de gênero”.

Já a defesa de Cury reafirmou que o parlamentar “não teve a intenção de ofender a colega e que tratou se de um simples abraço sem qualquer conotação sexual''. “O toque, apesar de inadequado, não foi nos seios e sim nas costelas na região sub-axilar.”

Ao opinar no parecer, o relator argumentou que “os esforços da defesa não lograram superar a nitidez das imagens transmitidas ao vivo pela TV Alesp”.

“Nem mesmo a contratação de notório perito para examinar as referidas imagens conseguiu tal proeza”, afirmou Souza. 

O petista também argumentou que as testemunhas escolhidas pela defesa não puderam “alterar o curso das investigações”, “visto que nenhuma delas presenciou, in loco, os fatos, mas tão somente teceram comentários elogiosos à vida pregressa do representado, ao seu costume de abraçar pessoas e seu respeito às mulheres”.

Ao final da reunião, após bate-boca entre alguns dos deputados a respeito do prazo e urgência de decisão do caso, foi definido, por maioria, que a próxima discussão e votação para definir o caso será na sexta-feira (5), às 10h.