'Lula estava muito cético com a possibilidade de concorrer em 2022', diz Haddad

Em entrevista à CNN, ex-candidato à Presidência em 2018 avaliou cenários para a próxima eleição e possíveis alianças para derrotar Jair Bolsonaro

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
11 de março de 2021 às 21:03 | Atualizado 11 de março de 2021 às 21:04

Fernando Haddad, ex-candidato do PT à Presidência em 2018, falou sobre o cenário para as eleições de 2022 depois que Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se novamente elegível. Em entrevista à CNN na noite desta quinta-feira (11), ele avaliou que as forças políticas discordantes do atual governo devem se unir para derrotar Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo Haddad, o ex-presidente se mostrava cético quanto à recuperação dos seus direitos políticos e não esperava poder estar na disputa.

"Eu, como advogado do Lula, era mais otimista que ele. Lula estava muito cético com a possibilidade de concorrer em 2022, ao contrário de 2018, quando ele acreditava que, ao final, a Suprema Corte, o Tribunal Superior Eleitoral concederia o direito de ele disputar a eleição que ele liderava com 40% de intenção de voto no primeiro turno", disse o ex-prefeito de São Paulo.

Para o petista, no pleito de 2022 a formação de alianças será importante. "Acredito que o Lula vai procurar ampliar tanto quanto possível o leque de alianças para 2022. Até porque vai preparar o governo dele, precisa de base parlamentar e apoio popular. Quem está apoiando Bolsonaro hoje deve continuar, que é 80% do Centrão", afirmou.

"Aqueles que estão resistindo ao bolsonarismo deveriam fazer um pacto de segundo turno. Temos que ter um pacto de segundo turno para que o Brasil sobreviva ao Bolsonaro"

Fernando Haddad


Segundo o petista, deve haver uma união de diversos partidos e nomes da política nacional em uma frente para enfrentar o atual presidente na eleição, principalmente no segundo turno.

"Queremos garantir que as forças democráticas que não acreditam na maneira de Bolsonaro governar se comprometam em apoiar aquele que for para o segundo turno. É muita coisa em jogo para correr o risco que parte dessas forças decidiram correr em 2018 apoiando Bolsonaro em segundo turno. Penso que esse erro não será cometido por essas forças no próximo pleito", disse.

Fernando Haddad (PT) (11.mar.2021)
Fernando Haddad (PT) em entrevista à CNN nesta quinta-feira (11)
Foto: Reprodução/CNN

Ao analisar o cenário eleitoral, Haddad afirmou que o atual presidente tem um público cativo e que, por isso, pode ir ao segundo turno. 

"Quando falo do eleitor típico do Bolsonaro, falo do eleitor de primeiro turno, que compra a ideologia dele de que as coisas se resolvem à força. Infelizmente, 20% do eleitorado não tem compromisso com a democracia no Brasil, entende que é justo armar milícias, ameaçar Congresso, Supremo e imprensa. Isso pode levar Bolsonaro, mesmo mais fragilizado, para o segundo turno. Ele é uma ameaça permanente", concluiu.