Nos alinhamos ao 'trumpismo' e hoje sofremos as consequências, diz Aécio Neves

'O Brasil não tem sido feliz na sua condução de política externa há muito tempo. Deixamos de exercer uma política pragmática', disse o deputado federal à CNN

Produzido por Elis Franco, da CNN, em São Paulo
24 de março de 2021 às 21:26 | Atualizado 24 de março de 2021 às 21:29

Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quarta-feira (24), em entrevista à CNN, que o alinhamento do Itamaraty ao ex-presidente americano Donald Trump afetou negativamente na negociação de vacinas, especialmente com a China.

“Nos alinhamos ao trumpismo, o que nos afastou de certos concertos internacionais e hoje sofremos as consequências disso, como com a nossa relação com a China. Empresários que têm negócios com a China demonstram preocupação com o nível beligerante de nossa política externa”, disse Aécio.

Araújo vem sendo pressionado pela condução de sua pasta na formulação de acordos para a obtenção de vacinas no mundo. Conforme apurou o colunista da CNN Caio Junqueira, após trabalhar pela substituição do ministro da Saúde, o Congresso Nacional agora pressiona o Palácio do Planalto pela substituição do ministro das Relações Exteriores.

De acordo com Aécio, a atual política externa do país é baseada em ideologia. “O Brasil não tem sido feliz na sua condução de política externa há muito tempo. Deixamos de exercer uma política pragmática para os interesses comerciais do país para um expediente baseado em ideologia,” disse o deputado federal.

Aécio Neves, Senado, Câmara dos Deputados
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-candidato à Presidência também criticou o estado das negociações do acordo Mercosul-União Europeia (UE), e disse que as políticas externas e ambientais do governo Jair Bolsonaro (sem partido) estão sendo as culpadas pelo atraso no acordo.

“O acordo Mercosul e UE está emperrada por protecionismo e pela política ambiental brasileira, que vem sendo utilizada por alguns países europeus para a não ratificação desse acordo. Existem dois entraves graves para a retomada do diálogo do Brasil na comunidade internacional: as afirmações doutrinárias de Ernesto Araújo e seu pouco esforço em ampliar relações com países que não comungam com suas preferências ideológicas e pela área ambiental.”