À CNN, Faria diz que não é hora de 'apontar o dedo' sobre a pandemia

Segundo o ministro, a CPI da Covid-19 pode gerar politização em torno da pandemia e se tornar um debate eleitoral

Daniel Fernandes, da CNN, em São Paulo
08 de abril de 2021 às 23:11

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou nesta quinta-feira (8), logo após o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a pandemia da Covid-19, que a decisão é infundada e que “não é hora de ficar apontando dedos”.

“Precisamos de união, parar de apontar o dedo um para o outro. Ninguém está querendo errar, todo mundo está querendo acertar e é um aprendizado constante”, afirmou Faria sobre as ações dos governos federal e estaduais na crise sanitária.

Segundo o ministro, a CPI pode gerar politização em torno da pandemia e se tornar um debate eleitoral que, inclusive, pode beneficiar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Vão atirar no que acham que viram e acertar no que não estão vendo”, afirmou.

Questionado sobre as recomendações de remédios feitas por Bolsonaro, Faria negou que o presidente defenda o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no combate à Covid-19.

Segundo o ministro, o presidente defende o tratamento off label para medicamentos - quando os produtos são usados diferentemente da finalidade aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) -, e que o médico pode “prescrever qualquer coisa” contra a doença.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro defende o uso da hidroxicloroquina no tratamento à doença, o que inclusive gerou atritos e as saídas de Henrique Mandetta e Nelson Teich do Ministério da Saúde. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a substância não funciona no tratamento contra a Covid-19 e seu uso pode causar efeitos colaterais.

Lembrança de Mandetta

Ao defender a postura do Ministério da Saúde e do governo federal no combate à pandemia, Faria lembrou que o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta sugeria que as pessoas fossem ao hospital somente quando sentissem sintomas mais fortes da Covid-19, como falta de ar, por exemplo. “Devemos olhar para tudo o que todo mundo falou [sobre a doença]”, disse.

“Antigamente, o ministro Mandetta dizia o seguinte: ‘fique em casa até sentir falta de ar, quando você sentir falta de ar procure um hospital. Muitos [contaminados] foram intubados no mesmo momento e muitos deles morreram, mas eu não vi ninguém cobrando isso do Mandetta”, disse o ministro.

Para Faria, diversos erros foram cometidos durante a pandemia, como a realização do Carnaval e das eleições municipais em 2020, por exemplo: “Será que a nova variante não surgiu nas eleições e fomos omissos?”.

O ministro também citou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e questionou a eficácia de medidas mais restritivas como as adotadas no estado, que está na fase emergencial no combate à pandemia.  

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (08.abr.2021)
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, em entrevista à CNN Nesta quinta-feira (8)
Foto: Reprodução/CNN

“São Paulo está em lockdown há três semanas e, um dia após o outro, está batendo recorde de mortes. São Paulo está representando 33% do número de mortos do Brasil”, disse Faria. “Se estivesse dando certo [o lockdown], São Paulo era pra estar com número mínimo [de casos].”

Para o ministro, o governo está “fazendo o dever de casa” e o momento requer união. “O Brasil está tendo mortos por causa do presidente Bolsonaro? E os prefeitos e estados, que têm condições de adotar quaisquer medidas que eles possam adotar? Por que ninguém cobra deles?”, questionou.