Randolfe prevê CPI na quinta e quer começar ouvindo cientistas e médicos

Em entrevista à CNN, líder da oposição no Senado também defendeu investigação de uso de verbas federais por estados e municípios

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo, e Juliana Alves, da CNN, em Brasília
18 de abril de 2021 às 18:06

Cotado para a vice-presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu que a investigação comece ouvindo cientistas e médicos para que se possa compreender "as razões que nos levaram a essa situação de atoleiro sanitário". 

Em entrevista exclusiva à CNN neste domingo (18), o parlamentar argumentou pelo caráter histórico da CPI, defendeu que se investigue o uso de verbas federais por estados e municípios no combate à pandemia e afirmou que a comissão deverá ser instalada na próxima quinta-feira (22).

"Temos que iniciar essa Comissão Parlamentar de Inquérito ouvindo os melhores microbiologistas do país, os melhores biólogos do país,os melhores epidemiologistas do país, os melhores cientistas, os melhores especialistas em medicina sobre o tema, os melhores infectologistas do país. Os erros cometidos até agora não podem ser cometidos na apuração das razões que nos trouxeram até aqui", disse Randolfe. 

Senadores de oposição, o que inclui Randolfe, e também os considerados independentes, trabalham em um acordo que coloque na presidência da CPI o senador Omar Aziz (PSD-AM), e na relatoria, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

O governo federal fez pressão para que estes nomes não fossem escolhidos, mas, no sábado (17), o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) telefonou para integrantes da comissão e, em nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse que o Planalto não mais tentaria vetar indicações, conforme revelou o colunista da CNN Fernando Molica. 

Randolfe disse que está participando da construção de um acordo para as indicações e que esse acordo já abrange "o que parece ser a maioria dos membros da CPI". Ainda assim, afirmou que não quer "antecipar nada antes de ser formalizado". 

Randolfe defendeu que a CPI adote o modelo de estabelecer sub-relatorias, uma maneira, segundo o senador, de dar celeridade às investigações de forma que não seja necessária a prorrogação da CPI, que, segundo o regimento do Senado, funcionará por 90 dias a partir da sua instalação. O modelo, disse Randolfe, "é natural pela amplitude" da investigação. 

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) falou à CNN sobre os próximos passos da C
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) falou à CNN sobre os próximos passos da CPI da Pandemia (18.abr.2021)
Foto: Reprodução / CNN

CPI da Covid-19

Inicialmente, a proposta da CPI da Covid-19 feita pelo senador Randolfe Rodrigues era para investigar somente o enfrentamento da pandemia por parte do governo federal. Embora a proposta tenha conseguido reunir número superior às 27 assinaturas necessárias para ser levada adiante, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se recusou a fazê-lo. 

Diante da recusa, os senadores Jorge Kajuru (de Goiás, que antes estava no Cidadania e nesta quinta-feira (15) comunicou sua filiação ao Podemos) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão monocrática confirmada na quarta-feira (14) pelo plenário do Supremo, o ministro Luís Roberto Barroso determinou a instalação da CPI. 

Senadores mais alinhados com o governo Bolsonaro se movimentaram, então, para ampliar o escopo da investigação, de forma que o governo federal não fosse o único foco da comissão. Assim, a administração por estados e municípios do dinheiro destinado pela União ao enfrentamento da pandemia também acabou incorporada à investigação.