À CNN, líder do MDB diz que apoio a medidas sanitárias teria evitado mortes

Para Eduardo Braga (MDB-AM), Brasil menos mortes se 'lideranças nacionais' tivessem apoiado distanciamento social e uso de máscaras

Gregory Prudenciano, Jorge Fernando Rodrigues e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília
04 de maio de 2021 às 22:11 | Atualizado 04 de maio de 2021 às 22:18

Líder da maior bancada no Senado e membro titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, Eduardo Braga afirmou à CNN, nesta terça-feira (4), que se "lideranças nacionais" tivessem se comprometido com a adoção de medidas sanitárias como o uso de máscaras, a assepsia das mãos e o distanciamento social o Brasil hoje teria menos vítimas fatais da Covid-19.

"Acho que esse comportamento dúbio ou errático das lideranças nacionais acabou refletindo em lideranças regionais, lamentavelmente, que por sua vez refletiu no comportamento da população", explicou o senador. "E quando não se tem vacina, a única forma de salvar vidas é exatamente obedecendo esse protocolo", defendeu. 

O senador, no entanto, não nomeou quais seriam as "lideranças nacionais" ou "regionais" que teriam pecado pelo mau exemplo. 

Apoiador da indicação de Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da CPI da Pandemia, Braga disse estar convencido de que o senador por Alagoas estará atento, durante as apurações, às ações de governantes baseadas em "negacionismo, seja a linha do tratamento precoce, seja a linha do uso de cloroquina, ivermectina, o que seja". 

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez várias defesas do chamado "tratamento precoce", inclusive recomendando o uso dos medicamentos citados pelo líder do MDB no combate à Covid-19. 

Líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), senador Eduardo Braga
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) é líder da maior bancada partidária do Senado Federal.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Depoimento de Luiz Henrique Mandetta

Nesta terça-feira a CPI da Pandemia ouviu o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que esteve à frente da pasta entre janeiro de 2019 e abril de 2020, sendo, portanto, o primeiro chefe do ministério a enfrentar a pandemia de Covid-19. 

No depoimento, Mandetta afirmou que o governo federal desistiu de seguir as orientações dos técnicos do Ministério da Saúde e que o presidente Jair Bolsonaro se aconselhava com um grupo de médicos que não integrava a pasta. 

O ex-ministro disse que Bolsonaro foi aconselhado a mudar a bula da cloroquina para incluir no documento o tratamento contra a Covid-19, o que não tem comprovação científica. Segundo Mandetta, o governo chegou a elaborar um decreto, não timbrado, mas houve recuo após manifestação do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres. 

Adiamento do depoimento de Eduardo Pazuello

A oitiva do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que estava marcada para esta quarta-feira (4), foi adiada para o dia 19 de maio. Em carta endereçada ao Comando do Exército, o ex-ministro disse ter se encontrado pessoalmente com duas pessoas que testaram positivo para a Covid-19, e pediu para haver mudança de data ou para que o depoimento fosse prestado remotamente. 

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), defendeu o adiamento e a medida foi aprovada pela comissão em votação simbólica. 

Depoimento de Nelson Teich 

Sucessor de Mandetta e antecessor de Pazuello, o médico Nelson Teich, que por um mês foi ministro da Saúde, será ouvido pelos senadores na sessão da CPI marcada para esta quarta-feira, às 10h.

Inicialmente, o depoimento de Teich deveria ocorrer na tarde desta terça-feira, mas por conta da extensão da oitiva de Mandetta e pelo cancelamento da participação de Pazuello, o depoimento de Teich foi remarcado.