Governo do RJ quer voltar a 'ocupar comunidades' em programa alternativo às UPPs

Governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), disse que programa deve começar a ser implantado no segundo semestre de 2021

Pedro Duran, da CNN, no Rio de Janeiro
13 de maio de 2021 às 17:33 | Atualizado 13 de maio de 2021 às 17:34
Menino usa máscara de proteção na favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro
Menino usa máscara de proteção na favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Moraes/Reuters (9.abr.2020)

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), está preparando um projeto para voltar a ocupar comunidades do estado no segundo semestre de 2021. Questionado pela CNN, ele disse que o projeto “vai ser diferente” do modelo de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), criado em 2008.

O modelo das UPPs foi criado pelo ex-secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, no governo de Sérgio Cabral. Ele consistia basicamente em instalar unidades da polícia militar em áreas de pobreza e violência para coibir o avanço do tráfico de drogas. O programa tinha parceria nas três esferas de poder e foi desenhado para ter integração com ações sociais. Ao longo dos anos ele foi expandido e teve orçamento esvaziado, enfraquecendo-se.

A ideia é criticada pela gestão de Cláudio Castro, que vem defendendo diariamente as polícias fluminenses, especialmente depois da ação na favela do Jacarezinho na quinta-feira da semana passada (6). A CNN apurou que o primeiro passo da atual gestão foi fazer um “diagnóstico de erros e acertos” do modelo de UPPs. As polícias militar e civil já estão debruçadas no planejamento da nova ação.

“Isso é um projeto que eu venho falando desde o ano passado, que a gente está trabalhando e que a previsão já é no segundo semestre agora. [No futuro, a área de] segurança pública vai apresentar, as secretarias”, afirmou o governador.

Castro disse que, por causa da crise fiscal, muitos projetos foram paralisados, mas que já começaram a ser retomados. Os novos investimentos devem mirar a Segurança Pública, área historicamente delicada no estado do Rio de Janeiro. “O governo está analisando os aspectos pra entender como pode atuar melhor”, disse o secretário da Casa Civil do governo, Nicola Miccione.

Câmeras em uniformes de policiais

O secretário disse ainda que a tendência é de que Castro sancione um projeto aprovado nessa quarta (12/5) pela Alerj que determina a colocação de câmeras nos uniformes de policiais da CORE, Coordenadoria de Recursos Especiais da polícia civil fluminense, e também em helicópteros usados nas ações policiais.

“O governo trabalha com transparência no setor de segurança pública e verificará por praxe todos os aspectos do projeto, mas a forma transparente como o governo trabalha a questão da segurança importa no diálogo com a Assembleia como sempre houve, então a tendência é essa”, disse Miccione.

O projeto passou por 34 votos a 16, seguindo para a mesa de Castro, que agora tem 15 dias para decidir se vai sancionar ou vetar. Um decreto do próprio governo publicado no dia 19 de março, quase três semanas antes da ação no Jacarezinho, já determinava a instalação de câmeras em uniformes de fiscais das áreas de Trânsito, Fazenda e Meio Ambiente e de policiais civis e militares. O processo está na fase de ajuste dos preços para aquisição dos equipamentos.