À CNN, Randolfe afirma que 'governo foi negligente na compra de vacinas'

Senador diz que CPI tem 'outros meios de buscar a verdade' caso Pazuello seja dispensado de responder perguntas, mas que espera negativa do STF ao ex-ministro

Guilherme Venaglia e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília
13 de maio de 2021 às 21:49 | Atualizado 14 de maio de 2021 às 00:58

 

Em entrevista exclusiva à CNN, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "foi, no mínimo, negligente na compra de vacinas". Randolfe é titular e vice-presidente da CPI da Pandemia no Senado.

O parlamentar fez a declaração com base no depoimento à comissão de Carlos Murillo, principal executivo para a América Latina da farmacêutica americana Pfizer. À CPI, Murillo afirmou que a empresa fez três ofertas de vacina ao Brasil em agosto de 2020, mas não obteve resposta.

"São, no mínimo, 18 milhões de doses que teriam vindo ao país", afirma Randolfe. "Quantos nós não poderíamos ter salvo, não poderiam estar conosco?", completou o senador, que estima que o contingente citado por ele seria suficiente para imunizar antes os profissionais da saúde brasileiros.

"A omissão para adquirir as vacinas ou imunizantes pode ser caracterizada como negligência, como estratégia errada, no mínimo, no enfrentamento da pandemia, por acreditar que era mais eficiente cloroquina do que vacina", criticou.

Pazuello

Apesar de dizer que "o direito de petição assiste a todos", o senador Randolfe Rodrigues criticou a decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) de pedir um habeas corpus para que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello não seja obrigado a responder perguntas durante depoimento à CPI na próxima semana.

"Considero inadequado da parte do senhor Eduardo Pazuello esse habeas corpus. Nesse habeas corpus ele se coloca como indiciado, nós o convocamos como testemunha", disse Randolfe. O habeas corpus de Pazuello argumenta ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-ministro tem tratamento de investigado na CPI, não de testemunha, o que justificaria a ele o direito de não produzir provas contra si mesmo.

O vice-presidente da comissão afirmou, no entanto, que o colegiado terá "outras formas de buscar a verdade" caso o habeas corpus seja concedido pelo STF. Ele cita a hipótese de determinar quebras de sigilos do ex-ministro, bem como convocar outras pessoas que trabalharam com ele no Ministério da Saúde.

G7

Segundo a apuração do analista de política da CNN Caio Junqueira, o governo Bolsonaro busca se aproximar do presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), para quebrar o chamado "G7", grupo formado por senadores independentes e de oposição que detém a maioria dos integrantes da comissão.

À CNN, Randolfe disse não acreditar que isso aconteça. "É uma aposta errada da parte do governo, acreditar que com verbas parlamentares ou com vantagens vai cooptar qualquer senador", afirmou o parlamentar.

Randolfe Rodrigues ainda disse estar sendo "uma honra" conduzir a CPI ao lado de Aziz e elogiou o senador. "Presidente Omar tem dirigido à CPI com maestria, com um papel de magistrado", argumentou.

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em entrevista à CNN (13.mai.2021)
Foto: CNN Brasil