À CPI, Itamaraty lista cooperações contra pandemia e inclui Venezuela

Aos senadores, ex-chanceler Ernesto Araújo afirmou, porém, que não procurou o país vizinho

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
18 de maio de 2021 às 17:46 | Atualizado 18 de maio de 2021 às 18:19

Em documento enviado à CPI da Pandemia, o Ministério das Relações Exteriores colocou a Venezuela na lista de países com os quais o Brasil manteve “cooperação humanitária para enfrentamento à pandemia de covid-19”.

No entanto, em depoimento à CPI nesta terça-feira (18), o ex-chanceler Ernesto Araújo afirmou que não pediu e nem agradeceu ao governo da Venezuela pela doação de oxigênio daquele país ao estado do Amazonas, em janeiro deste ano. Araújo disse que o insumo foi enviado por iniciativa do país durante a grave crise que assolou o estado e levou a óbitos de pessoas por falta de oxigênio.

“Determinei que se fizesse tudo o que cabe ao Itamaraty,  que são alguns procedimentos burocráticos, através da Agência Brasileira de Cooperação, para viabilizar o mais rápido possível essa doação, sem nenhum percalço político, de nenhuma maneira”.

Ernesto Araújo foi duramente criticado pelo senador Omar Aziz, presidente da CPI da Pandemia ao dizer que não procurou a Venezuela para ajuda. “ Poderiam ter sido evitadas essas mortes se V. Exa. tivesse agido. Nós fizemos um esforço danado! (..)Então, o Ministério das Relações Exteriores não fez contato com o Governo venezuelano por questões ideológicas!”, disse Aziz.

O ofício, assinado pelo atual ministro, embaixador Carlos Alberto Franco França e recebido pela CPI no dia 14 de maio, lista os países com os quais o Brasil fez “acordos, doações, cooperações técnicas ou outros benefícios recebidos” para enfrentar a pandemia e atende a requerimento formulado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

“Este Ministério viabilizou a recepção no país de contribuição de variadas formas - aportes financeiros, doação de equipamentos de proteção individual (EPIs), “kits” para o diagnóstico da doença, medicamentos e equipamentos hospitalares”, diz o ofício enviado pelo atual chanceler.
Além da Venezuela, o ofício cita Alemanha, China, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Irlanda, Japão, Noruega, Países Baixos, Portugal, San Marino, Singapura, Vietnã e a ONG Direct Relief.

O ex-chanceler Ernesto Araújo durante depoimento na CPI da Pandemia nesta terça-feira (18)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado