Comissão da Câmara que analisa cannabis medicinal tem agressão e bate-boca

Assista: presidente da comissão, Paulo Teixeira foi empurrado pelo deputado Diego Garcia durante discussão sobre votação de requerimentos

Gabrielle Varela, Rudá Moreira e Rafaela Lara, da CNN, em Brasília e em São Paulo
18 de maio de 2021 às 15:16 | Atualizado 18 de maio de 2021 às 18:51

As discussões do Projeto de Lei 399/2015, que pode autorizar a liberação do cultivo de cannabis sativa para fins medicinais, exaltaram os ânimos dos parlamentares na sessão desta terça-feira (18) e culminaram em agressão e bate-boca. O projeto é discutido em comissão especial na Câmara dos Deputados e, na sessão de hoje, analisaria o parecer do relator, deputado Luciano Ducci (PSB-PR).

A confusão foi provocada pela votação de um requerimento proposto pelo deputado Diego Garcia (Podemos-PR), aliado do Palácio do Planalto. O texto era semelhante a outro já apresentado e, por isso, o presidente da comissão, Paulo Teixeira (PT-SP), disse que já havia comunicado ao deputado Evair de Melo (PP-ES), vice-líder do governo, e prosseguiria com a sessão.

O requerimento em análise era de votação nominal para o requerimento de adiamento de votação (que havia sido rejeitado já, sem votação nominal -- o que é comum e era o acordo).

Após a negativa, Garcia se exaltou e disse que não iria continuar até que o requerimento fosse votado. Os parlamentares então começaram a discutir, Garcia se levantou, afastou um computador sobre a mesa e agrediu o presidente da comissão com um empurrão na altura do peito.

Os demais parlamentares que estavam na sessão se aproximaram e pediram que a segurança da Câmara comparecesse ao local.

 

Procurado pela CNN, Garcia afirmou que não houve agressão e que os "ânimos estavam exaltados" durante a sessão desta terça. "Tapa é muito diferente de toque, como as próprias imagens mostram. Eu encostei no presidente. Os ânimos de todos estavam exaltados, como geralmente acontece em votações polêmicas", disse.

"Apenas reagi ao atropelo do presidente à quebra de acordo feito por ele mesmo com os deputados, para que as votações dos requerimentos de adiamento de discussão fossem nominais", completou o parlamentar.

O presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira, afirmou que foi agredido fisicamente e que irá acionar o Conselho de Ética contra Garcia. "Foi uma agressão física que recebi do Deputado Diego Garcia. Inaceitável. Inadmissível. Vou representá-lo no Conselho de Ética. A cultura política do uso da violência não é compatível com uma sociedade democrática", disse à CNN.