‘Inquérito induziu ministro relator a erro’, diz Salles sobre decisão de Moraes

Ministro da Suprema Corte determinou cumprimento de operação da Polícia Federal que teve como alvos o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama

Carla Bridi, da CNN, em Brasília
19 de maio de 2021 às 12:44 | Atualizado 19 de maio de 2021 às 13:12
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante reunião das Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Viação e Transportes, na Câmara dos Deputados
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta quarta-feira (19) que o inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e que levou à deflagração da Operação Akuanduba pela Polícia Federal, teria induzido o ministro a erro, além de ter considerado a operação da PF “exagerada e desnecessária”. O ministro admitiu que ainda não teve acesso aos autos do inquérito, mas que sabe do que se trata.

“Esse inquérito foi instruído de uma forma que acabou levando o ministro relator, induzindo o ministro relator a erro, induzindo justamente a dar a impressão de que houve, ou que teria havido, possivelmente uma ação concatenada de agentes do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente para favorecer ou para fazer o destravamento indevido do que quer que seja. Essas ações jamais, repito, jamais aconteceram”.

Salles também afirmou ter ficado surpreso com a operação, já que de acordo com ele todos os funcionários citados sempre estiveram à disposição das autoridades e poderiam ter sido chamados para depor. Moraes determinou o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Pará, além do afastamento preventivo de dez agentes públicos do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente, sob suspeita de terem facilitado a exportação de produtos florestais sem a devida autorização e documentação exigida aos Estados Unidos.

As afirmações foram feitas à imprensa após participação do ministro no Seminário “Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável da Indústria de Resíduos Sólidos no Brasil”, promovido pelo Grupo Voto, em Brasília. Apesar da operação da PF e de ter sido citado nominalmente no inquérito no STF, Salles deve manter todos os compromissos que já estavam previstos na sua agenda. 
Antes de participar do evento, o ministro esteve em seu gabinete no prédio do Ministério do Meio Ambiente, onde afirmou ter se encontrado com o delegado responsável pela operação, e teve seu celular apreendido. Em seguida, o ministro se dirigiu à sede da Polícia Federal em Brasília.

Questionado se havia conversado sobre o ocorrido com o presidente Jair Bolsonaro, Salles afirmou que explicou ao presidente sobre o que se trata o inquérito, e que na sua opinião “não há substância em nenhuma das acusações”. O ministro também acredita que os questionamentos feitos por Alexandre de Moraes podem ser esclarecidos “com rapidez”.

Sobre a suposta ausência de autorização relativa à carga enviada aos Estados Unidos, o ministro esclareceu que ainda não sabe detalhes, mas que a presidência do Ibama entendeu que “a regra que estava sendo invocada era uma regra que já deveria naquela altura ter sido alterada”.

Com informações de Vianey Bentes