Política externa de Araújo ainda impacta no recebimento de insumos, diz Randolfe

Para o senador, não é aceitável que 2.500 brasileiros morram em um dia para uma doença que já tem vacina

Rudá Moreira, da CNN, em Brasília e Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2021 às 22:19

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, afirmou que a política externa do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo ainda impacta no recebimento de insumos para a produção de imunizantes contra a Covid-19.

"O negacionismo, o fim do multilateralismo -- que foi tão criticado pelo senhor Ernesto Araújo -- é responsável pelo atraso de insumos hoje para produzir vacinas. Nós poderíamos estar ofertando uma quantidade de vacinas AstraZeneca e Coronavac muito maior. A política externa foi negacionista em relação à pandemia e negacionista em relação à vacina", disse Randolfe.

Para o senador, não é aceitável que 2.500 brasileiros morram em um dia para uma doença que já tem vacina, enquanto outros países ensaiam uma volta à normalidade. "Norte-americanos, britânicos, israelenses e chilenos já estão, inclusive, abrindo mão do uso de máscara. Não é aceitável. Vários erros foram cometidos".

Na avaliação de Randolfe, se o ex-ministro não mentiu à CPI, "ele no mínimo omitiu". Segundo o senador, o ex-ministro que falou nesta terça-feira (18) à comissão não é o mesmo que "brada no Twitter, brada em seu blog e que bradava à frente da nossa chancelaria".

O parlamentar ressaltou ainda que a CPI vai checar as notas taquigráficas e assistir ao vídeo do depoimento para apurar se o ex-chanceler mentiu à comissão. Caso alguma mentira seja detectada, a comissão fará "o mesmo despacho ao Ministério Público", assim como aconteceu na oitiva com o ex-secretário especial de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten.

Convocação de Carlos Bolsonaro para depor à CPI

O vice-presidente da CPI confirmou que a hipótese de convocar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não está descartada. De acordo com Randolfe, o vereador "arquiteta uma rede de ódio" contra membros da CPI.

"Só convocaremos [Carlos Bolsonaro] se encontrarmos elementos concretos de que ele fazia parte do gabinete das trevas", disse o senador em alusão às pessoas que, supostamente, orientaram o presidente da República na condução da pandemia. 

"A CPI não perseguirá pessoas, mas perseguirá fatos. E o fato é: por que temos tudo isso de mortos?", questionou.

O vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues, conversou com a CNN sobre o depoimento de Ernesto Araújo (18.mai.2021)
Foto: Reprodução / CNN