Bolsonaro diz que Pazuello 'foi muito bem', mas que CPI é 'vexame'

Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello prestou depoimento à CPI da Pandemia nestas quarta (19) e quinta (20)

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo
20 de maio de 2021 às 20:36 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 21:21
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em transmissão ao vivo - 20.05.21
Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou, nesta quinta-feira (20), sobre o segundo dia de depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na CPI da Pandemia. Além de elogiar Pazuello, avaliando seu depoimento como "muito bom", Bolsonaro afirmou que a CPI, que investiga as ações do governo federal e o destino dos repasses da união para estados na pandemia, é um "vexame". 

Durante a oitiva nesta quinta-feira, Pazuello afirmou que não recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro enquanto esteve na pasta da Saúde, reiterando que: "no que tange ao Ministério da Saúde e ao SUS, posso afiançar ao senhor que não tive pressão do presidente Bolsonaro para tomar essa ou aquela decisão”, afirmou o ex-ministro em depoimento. 

Pazuello disse ainda que o Ministério da Saúde esperou uma Medida Provisória para comprar vacinas da Pfizer contra a Covid-19, ao explicar-se sobre as negociações com a farmacêutica norte-americana na compra de imunizantes para o Brasil. 

"O Pazuello foi muito bem, mas a CPI continua sendo um vexame nacional. Não querem investigar o desvio de recurso, não querem falar sobre aquele medicamento que se usa para combater a malária, usei e no dia seguinte e estava bom, não posso falar o nome senão a transmissão cai", disse Bolsonaro, sem citar diretamente a cloroquina.

Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo da cidade de Leopoldina (MA), onde está cumprindo agenda do governo. O presidente acrescentou que a CPI é "um circo" e que o relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), não irá investigar o desvio de recursos enviados pelo governo federal aos estados. 

Na sessão da CPI da Pandemia da última quarta-feira (12), os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho de Jair Bolsonaro, discutiram e trocaram ofensas; na ocasião, o republicano chamou Calheiros de "vagabundo". O presidente Bolsonaro afirmou que o relator da CPI foi "bem intitulado" pelo filho. 

“O Brasil é um país da hipocrisia. Começando pela CPI. Tinha vontade de voltar a ser deputado para falar o que eu penso dessa CPI, como presidente da República não pega bem eu falar, em especial, do relator da CPI. Um vexame, ele foi bem intitulado pelo senador Flávio Bolsonaro na semana passada", afirmou o presidente.