'Existem ações completamente díspares no governo federal', diz senador Prates

Petista analisou discursos de Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello na CPI da Pandemia

Produzido por Gustavo Zucchi, da CNN em Brasília
21 de maio de 2021 às 11:25

Líder da minoria no Senado, Jean-Paul Prates (PT-RN) disse à CNN nesta sexta-feira (21) que os depoimentos dos ex-ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Eduardo Pazuello (Saúde) na CPI da Pandemia mostram que o governo federal tem duas formas de atuar.

"Aparentemente, existe um governo para falar na internet e um outro governo para tomar decisões e falar as coisas sérias, infelizmente, apenas internamente. Isso é dissonante num período de pandemia que você precisa se comunicar de forma correta para evitar que o vírus se propague”, apontou o senador.

Jean-Paul Prates afirmou também que esta atitude confunde a população e se soma às investigações sobre "negligência" e "incompetência" em relação às ações tomadas pelo governo federal e Ministério da Saúde sobre a Covid-19. "Projeta duas dimensões paralelas de autoridade", analisa.

“A gente fica muito confuso dentro desta situação porque, aparentemente, existem ações completamente díspares no governo federal. Uma hora o ministro Pazuello diz que cumpria ordens cegamente, não discutia ordens, disse isso claramente à senadora Leila Barros (PSB-DF). Outra hora, dizia que não recebia ordens de ninguém, que não se deixava influenciar por ninguém, e que não existia governo paralelo."

Depoimento de Mayra Pinheiro

Em relação ao depoimento da secretária de Gestão de Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, que será ouvida pela CPI da Pandemia na próxima terça-feira (25), Prates diz que pretende interrogá-la sobre o incentivo ao uso da hidroxicloroquina.

“O grave é quando você inventa que um remédio barato e acessível cura ou previne Covid-19, porque quando você fala em ‘tratamento preventivo’, precoce, era isso que estava se falando. Eu vi vários prefeitos, na época da campanha eleitoral de 2020, distribuindo remédio dizendo que era preventivo e as pessoas saindo naturalmente para as feiras. Isso que é grave, perigoso, é crime."

O senador petista diz que esta política pública interferiu na medida de restrição de pessoas.
"Induziu as pessoas a saírem do isolamento e deixarem de tomar os cuidados devidos porque achavam que estavam blindados pela cloroquina, ivermectina, qualquer uma destas."