Relatório preliminar pode fragilizar trabalho da CPI, diz Humberto Costa

Em entrevista à CNN, senador Humberto Costa (PT-PE) falou sobre os desdobramentos da CPI da Pandemia

Anna Gabriela Costa e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília
22 de maio de 2021 às 17:09

Em entrevista à CNN, neste sábado (22), o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a antecipação dos resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia poderia "fragilizar" o trabalho que vem sendo feito para investigar as ações do governo durante a pandemia.

De acordo com o senador, dentre os motivos elencados para não ser apresentado um relatório preliminar sobre a CPI, seria também a possibilidade de a comissão ser acusada de "ação política".

"Com relação ao relatório preliminar, eu particularmente sou contra, não é a coisa correta. Primeiro porque nós temos pouco material para poder fazer o juízo de valor sobre a responsabilidade de quem quer que seja. Segundo que, com toda certeza nós seriamos acusados de estarmos desenvolvendo uma ação política para desgastar o governo de uma forma contínua. E terceiro, se o relatório parcial tiver algum deslize, algum problema, com toda certeza isso será o grande tema que o governo vai utilizar para tentar fragilizar a CPI", disse. 

Costa apresentou a possibilidade de uma entrevista coletiva do presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), para relatar os primeiros dias de depoimentos. 

"Não vejo necessidade [de um relatório preliminar], nós temos muito material que está chegando dos pedidos de informação que sequer foram ainda analisados, há muita coisa a se fazer. Talvez no segundo mês, uma entrevista coletiva do presidente com um balanço, mas um relatório preliminar eu acho que é algo equivocado", afirmou. 

Ao ser retomada na próxima semana, a CPI da Pandemia irá ouvir o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, na terça-feira (25). A secretária ficou conhecida como "capitã cloroquina" por defender o uso do medicamento, já comprovado como ineficaz para o tratamento contra a Covid-19.

"O depoimento do ministro Pazuello deixa muitas coisas para serem tratadas com a senhora secretária Mayra Pinheiro; particularmente no que foi feito em Manaus com a presença dela e a Tratecov; e o trabalho de distribuição de cloroquina e o convencimento dos profissionais médicos do uso desse medicamento", explicou o senador. 

Senador Humberto Costa (PT-PE)
Foto: Reprodução / CNN