Pazuello não comparece e Exército notifica ex-ministro por escrito

O episódio é mais uma demonstração da irritação do Alto Comando do Exército com Pazuello

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
24 de maio de 2021 às 22:09 | Atualizado 24 de maio de 2021 às 22:42
Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia
Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Exército Brasileiro notificou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, na noite desta segunda-feira (24), sobre a abertura de um procedimento disciplinar contra ele por sua participação em um ato com o presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro.

A ideia inicial era que Pazuello fosse informado pessoalmente pelo comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira, mas fontes das Forças Armadas informaram à CNN que ele não chegou a tempo do Rio de Janeiro.

Inicialmente, pensou-se uma reunião pessoalmente entre Nogueira e Pazuello na manhã desta terça-feira (25), mas a reunião foi cancelada. 

O episódio é mais uma demonstração da irritação do Alto Comando do Exército com Pazuello. Militares consideraram a participação dele no ato com Bolsonaro uma afronta. A situação interna, segundo generais, nunca esteve tão ruim. 

Em conversa com Pazuello após o ato de domingo, Paulo Sérgio Nogueira orientou-o a ir para reserva. A solução é considerada pela força a mais diplomática, pois agradaria ao Alto Comando que poderia atenuar sua punição. Pazuello, porém, resiste à ideia. Generais continuarão a debater essa possibilidade com ele.

Caso ele mantenha a resistência, alternativas estão sendo avaliadas pelo Exército. Uma delas é a promoção de oficiais generais de turmas mais novas, o que automaticamente o levaria à reserva. Outra é uma punição tão severa pela ida ao ato que o force a pedir aposentadoria.

Procurado pela CNN, o ex-ministro da Saúde não retornou as ligações.

Ato no Rio de Janeiro

Bolsonaro e ex-ministro da Saúde Pazuello, em carro de som, falam com apoiadores no Rio de Janeiro (23-05-2021)
Foto: Reprodução / CNN

O general Eduardo Pazuello esteve, sem máscara, em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, também sem máscara, neste domingo (23) no Rio de Janeiro. A participação aconteceu dias depois de o militar falar à CPI da Pandemia, no Senado.

O depoimento à comissão deveria ter acontecido no começo do mês, mas foi adiado em duas semanas depois de Pazuello ter contato com casos suspeitos de Covid-19. Ele chegou a enviar uma carta ao Exército pedindo o adiamento. O general também havia sido flagrado sem máscara em um shopping de Manaus.

Procedimento disciplinar

O Exército decidiu abrir um procedimento disciplinar contra o ex-ministro da Saúde. Como general da ativa, ele só poderia ir ao ato com autorização do comando do exército, o que não ocorreu.

A investigação irá avaliar se ele descumpriu o Regulamento Disciplinar do Exército, que prevê punição caso "manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária".

O artigo 24 do Regimento prevê seis tipos de punição:  
"I - a advertência;
II - o impedimento disciplinar;
III - a repreensão;
IV - a detenção disciplinar;
V - a prisão disciplinar; e
VI - o licenciamento e a exclusão a bem da disciplina."

Pazuello será chamado a se manifestar e apresentar sua defesa. A expectativa é de que o procedimento dure até  30 dias.