Há dois dias, Queiroga foi à CPI e defendeu uso de máscara contra Covid-19

Bolsonaro afirmou que conversou com Queiroga e que o governo vai "ultimar um parecer" para dispensar do uso obrigatório de máscara quem está vacinado ou já te

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
10 de junho de 2021 às 19:14 | Atualizado 10 de junho de 2021 às 20:19
Marcelo Queiroga presta depoimento à CPI pela segunda vez
Usando máscara, Queiroga prestou depoimento à CPI pela segunda vez
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Apenas dois dias antes de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defender a edição de um parecer desobrigando o uso de máscaras em pessoas vacinadas contra a Covid-19 ou que já tiveram a doença, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu uma posição oposta durante seu depoimento à CPI da Pandemia no Senado.

"No Ministério da Saúde, primeira atitude minha como ministro, senador Humberto Costa, foi editar uma portaria obrigando o uso de máscaras no Ministério da Saúde, porque nós julgamos isso importante", afirmou Queiroga, em resposta ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), segundo as notas taquigráficas do Senado. A portaria foi editada no dia 26 de março, três dias após a posse do ministro.

"Também colocamos já no ar uma campanha publicitária muito forte, essa campanha não só acerca da vacina, mas também acerca das chamadas medidas não farmacológicas. Essa campanha é divulgada em todos os veículos de comunicação. É nítido que, aqui, a Esplanada, todos os ministérios têm a informação acerca das chamadas medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, o distanciamento social", prosseguiu, em outra resposta. A campanha foi veiculada nas redes oficiais do governo no dia 9 de abril.

Nesta quinta, Queiroga voltou a falar sobre o assunto após o pronunciamento do presidente. Questionado pela CNN, disse esperar a desobrigação ao uso de máscaras venha "o mais rápido possível", mas ponderou que, para isso, "precisamos vacinar a população brasileira". Assista no vídeo abaixo

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Em nota, divulgada no começo da noite desta quinta-feira (10), o Ministério da Saúde afirmou que Queiroga "recebeu o pedido do presidente da República, Jair Bolsonaro, para produzir um estudo que trate da flexibilização do uso de máscaras, conforme o avanço da vacinação no país".

No depoimento à CPI, na terça-feira (8), o ministro da Saúde ainda chegou a enaltecer o fato de sua gestão ter promovido uma nova campanha com o Zé Gotinha, com o mascote do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e com os demais personagens da família deste usando máscaras, como forma lúdica de incentivar o uso do equipamento de proteção.

"A pasta não continua em silêncio, Excelência. Basta V. Exa. verificar que todos os ministérios têm uma propaganda a respeito de uso de máscaras. Se reclamava do Zé Gotinha; hoje nós temos um Zé Gotinha de máscara e uma família inteira de Zé Gotinhas de máscara. Trinta entrevistas coletivas realizadas, 4.512 demandas de imprensa atendidas, 756 matérias publicadas no portal do Ministério da Saúde; nas redes sociais, mais de 2 mil postagens com 770 milhões de impressões e mais de 21.320 interações", enumerou.

Proposta do presidente e posição da OMS

Nesta quinta-feira, em pronunciamento em evento do setor do turismo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que conversou com Queiroga e que o governo vai "ultimar um parecer" para dispensar do uso obrigatório de máscara quem está vacinado contra a Covid-19 ou já teve a doença.

Apesar de pessoas que tiveram a Covid-19 desenvolverem anticorpos para a doença, essa proteção não é considerada definitiva, diante do risco de reinfecção e das variantes do novo coronavírus. A orientação dos órgãos de saúde é que mesmo pessoas que já tenham tido a Covid-19 precisam se vacinar contra a doença.

Após os primeiros países optarem por autorizar a dispensa do uso de máscaras por pessoas vacinadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu cautela aos governos. Segundo a OMS, a dispensa desses cuidados pode acontecer quando não houver mais transmissão comunitária da doença e não depende apenas da vacinação contra a Covid-19.

“A pandemia não terminou, há muita incerteza com as novas variantes e precisamos manter os cuidados básicos para salvar vidas", afirmou Maria van Kerkhove, líder técnica para a Covid-19 da OMS.