'Ministro do STF não pode ter religião como norte', diz professor de Direito

O presidente Jair Bolsonaro disse que indicará o atual advogado-geral da União, André Mendonça, à vaga do ministro do STF Marco Aurélio Mello

Da CNN, em São Paulo
06 de julho de 2021 às 23:56 | Atualizado 07 de julho de 2021 às 00:01

Em entrevista à CNN, o advogado e professor de Direito da PUC-SP Georges Abboud afirmou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) precisam separar a religião da atuação na Corte.

Nesta terça-feira (6), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou que indicará o atual advogado-geral da União, André Mendonça, que é pastor presbiteriano, à vaga do ministro Marco Aurélio Mello.

De acordo Abboud, se essa substituição se concretizar, "para o bem da democracia brasileira e do STF tomara que o predicado 'terrivelmente evangélico' seja posto pelo jogador de lado". 

"Ao ser ministro do STF se julga tendo por norte a Constituição e a lei, não a sua moral religiosa, que é de foro íntimo", explicou.

Mendonça também é pastor presbiteriano da Igreja Presbiteriana Esperança, localizada em Brasília, e ex-ministro da Justiça por um período no governo Bolsonaro.

Influência política no STF

Apesar do viés conservador na futura indicação do presidente da República, o advogado explicou que a identificação da influência política na suprema corte do Brasil é "mais difícil" pelo fato do país não ter um modelo bipartidário, como nos Estados Unidos.

"Com o passar do tempo, a influência tende a se dissipar", explicou Abboud.

Sede do Supremo Tribunal Federal (STF)
Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ