Advogado da Rumble: Prisão de Bolsonaro é insulto a Trump

Martin de Luca diz que Moraes agiu de má fé, com motivação política e elevando a "caça às bruxas" que motivou tarifaço dos EUA contra Brasil

João Nakamura e Jussara Soares, da CNN Brasil, em São Paulo e Brasília
Advogado do Rumble, Martin de Luca
Advogado do Rumble, Martin de Luca  • CNN
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O advogado que representa as empresas Rumble e Trump Media em processos contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Martin de Luca disse que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um ato de "má fé" e com motivação política.

Além disso, indicou que a ordem de Moraes eleva a "caça as bruxas" que motivou o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

Em julho, ao anunciar uma sobretaxa de 50% contra exportações brasileiras, o presidente norte-americano Donald Trump atribuiu a cobrança, além de uma relação que diz ser injusta com o país, à postura do STF com Bolsonaro.

Na quinta-feira (20), Trump zerou as tarifas cobradas sobre alguns dos principais produtos vendidos pelo Brasil aos EUA, como café e carne.

"Na manhã seguinte ao abrandamento das tarifas dos EUA sobre o Brasil — tarifas originalmente impostas em parte devido à caça às bruxas
@jairbolsonaro
— Alexandre de Moraes elevou essa caça às bruxas a um nível totalmente novo."

De Luca apontou, em publicação na rede social X, que "é difícil imaginar um insulto mais gratuito a Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio".

"No Brasil, a prisão preventiva exige provas concretas de risco de fuga, atos objetivos de obstrução e a constatação de que nenhuma medida menos drástica seria eficaz. Moraes não apresentou nenhuma. Ele simplesmente descreveu um plano de fuga hipotético baseado em geografia, especulação e medo de uma multidão pacífica. E ele fez isso um dia depois de os EUA terem estendido um ramo de oliveira em relação às tarifas", escreveu o advogado.

"O momento escolhido é um ato de desafio. Independentemente de você apoiar Bolsonaro ou não, prender um ex-presidente com base na distância que ele percorre de carro até a embaixada dos EUA não é o Estado de Direito. É má-fé. É política. E trata-se de uma demonstração extraordinária de desrespeito para com a administração Trump, que agiu de boa fé poucas horas antes", pontuou.

Prisão de Bolsonaro

Jair Messias Bolsonaro teve prisão preventiva decretada neste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou para risco de fuga e uma tentativa do ex-presidente de violar sua tornozeleira eletrônica.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de detenção no julgamento da trama golpista que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após vitória do petista na eleição presidencial de 2022.

O ex-presidente foi sentenciado culpado pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima;
  • Deterioração de patrimônio tombado.