Seu cão não pode pegar o novo coronavírus; entenda


03 de março de 2020 às 12:18 | Atualizado 03 de março de 2020 às 13:58
Funcionário de laboratório na China

Funcionário de laboratório veste traje de proteção em Qinhuangdao, na China

Crédito: China Daily / Reuters (11.fev.2020)

Seu amado gato ou cachorro pode te passar coronavírus? Especialistas concordam: não. Então por que um cão em Hong Kong testou positivo para o COVID-19? 

No dia 28 de fevereiro, o Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação (AFCD) da China disse que as amostras para as secreções nasais e orais do animal testaram como “fraco positivo” para a doença. Acreditava-se que era o primeiro caso de cachorro no mundo com o novo coronavírus.

O cão - que não apresentava sintomas - foi colocado em isolamento e passará por uma nova fase de testes até que o resultado passe a ser negativo, de acordo com um comunicado do AFCD. O Departamento “recomenda fortemente” que os animais domésticos de pessoas infectadas com o COVID-19 sejam isolados por 14 dias.

Apesar disso, o AFDC e a Organização Mundial de Saúde (OMS) concordam que não há evidência de que animais como cães e gatos possam ser infectados com o novo coronavírus. Isso porque o fato de os cachorros testarem positivo para o vírus não significa que eles estejam infectados.

Então por que aquele cachorro apresentou resultado positivo?

Sabemos que o COVID-19 pode sobreviver em superfícies e objetos, apesar de pesquisadores não terem certeza do quanto ele pode viver nessas condições. Essa preocupação é tão grande na China que o banco central do país decidiu limpar ou destruir as notas de dinheiro que possam estar infectadas. 

Ao mesmo tempo, o vírus pode estar presente na pele de cães e gatos, mesmo que o animal não tenha contraído a doeça. “Evidências recentes sugerem que os cachorros não correm mais riscos de pegar (novo coronavírus) do que objetos inanimados, como maçanetas de portas”, escreveu Sheila McClelland, fundadora de uma instituição de caridade de proteção aos animais em Hong Kong, em uma carta enviada às autoridades da região semiautônoma e compartilhada com a CNN.

Ela disse que não há casos confirmados de cães e gatos que contraíram a doença em nenhum lugar do mundo e ressaltou que não há estudos publicados que mostram que os testes para detectar o novo coronavírus são precisos em cachorros.

Cães e gatos podem passar o novo coronavírus para os donos?

Houve temores similares durante o surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) em 2003, quando cerca de 280 pessoas morreram em Hong Kong. Especialistas acreditam que tanto a Sars quanto o COVID-19 apareceram primeiro em morcegos.

Cães e gatos podem pegar doenças da família coronavírus, mas elas não são a mesma do surto atual, disse Jane Gray, veterinária-chefe da Sociedade de Prevenção de Crueldade contra Animais de Hong Kong. Elas são de um tipo completamente diferente e não causam problemas respiratórios.

Em 2003, cientistas disseram que as chances de contrair Sars - também um tipo de coronavírus - de gatos eram extremamente remotas. Gray, que trabalhou em Hong Kong durante a epidemia de Sars, afirmou que o vírus foi encontrado em um pequeno número de gatos, mas não havia evidências de que eles passariam para os humanos.

De acordo com o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o principal curso que a doença está seguindo é de pessoa para pessoa, tanto quando elas ficam muito próximas e respiram o mesmo ar, quanto por gotículas expelidas por tosse ou espirro de pessoas infectadas.

Vale a pena colocar os animais em quarentena?

Segundo Gray, de uma perspectiva científica, vale a pena. Isso porque permite aos cientistas observar como os animais se relacionam com a doença, já que ainda há pouco conhecimento sobre essa questão.

“Apesar de parecer um pouco assustador, é uma medida puramente de precaução, e certamente não há nada com que os donos devam se preocupar”, disse Gray. Alguns donos na China estão colocando máscaras em seus animais, mas ela afirma que não há benefícios nisso. Na verdade, pode até ser um pouco desgastante para o animal e causar pânico nele. 

Em vez disso, eles devem optar pelo básico: boa higiene. Tanto a OMS quanto Gray recomendam aos donos sempre lavar as mãos com água e sabão após contato com os animais. Se mesmo assim os donos ficarem preocupados, podem limpar as patas dos pets com lenços antissépticos após passeios externos. Contudo, devem se atentar para não fazê-lo em excesso, já que isso pode secar demais as patas.

Qual é o maior risco?

Para veterinários e especialistas, há um problema maior do que a potencial disseminação do novo coronavírus entre os animais: o medo. Depois do anúncio de que um cachorro testou positivo para a doença, uma instituição de caridade de proteção aos animais escreveu ao governo, dizendo que a notícia causou “muito pânico”.

“Em estado de pânico, as pessoas podem acabar abandonando ou matando seus animais”, disse a fundadora da instituição. Além disso, “outras pessoas podem ter preconceito com quem tem cachorro”, afirma.