Disseminação do novo coronavírus está desacelerando, diz médico infectologista


Da CNN Brasil, em São Paulo
04 de março de 2020 às 22:13
Análise laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil

Análise laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil

Crédito: Divulgação/ Josué Damacena (IOC/ Fiocruz

Apesar da descoberta de variação do novo coronavírus e da confirmação de um terceiro infectado pela doença no Brasil, a epidemia está desacelerando, diz Renato Kfouri, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Em entrevista para a CNN Brasil, o médico explica que a doença está passando por processo de arrefecimento similar ao de outras epidemias, como o zika vírus.

“O número de pessoas atingidas já é muito grande. Temos só em Wuhan cerca de 80 milhões de pessoas que entraram em contato com o vírus e tiveram nenhum ou poucos sintomas da doença. Isso esgota o número de pessoas suscetíveis, então quando chega alguém doente, não tem quem contaminar, assim que terminam as grandes epidemias”, diz Kfouri. "O zika é um evento clássico. Todo mundo no Nordeste pegou e depois a doença desapareceu. O mesmo aconteceu na Polinésia".

“Primeiro você tem um boom de infectados, depois os números vão diminuindo. É o que acontece hoje, quando registramos mundialmente pouco mais de 100 casos por dia. Antes eram milhares”.

Ele também minimiza a descoberta de cientistas chineses sobre uma variação do novo coronavírus, e diz que é reação dos organismos.

“A mutação de vírus é algo natural, especialmente quando ele viaja o mundo, invarialmente acabar sofrendo alterações. Essas variações só serão importantes na hora de produzir a vacina da doença”.