Brasil tem 8 casos confirmados de coronavírus, 2 via transmissão local


Natália André, Tainá Farfan e Jairo Nascimento Da CNN, em Brasília e no Rio
05 de março de 2020 às 16:07 | Atualizado 05 de março de 2020 às 21:48
Hospitais adotam protocolo do Ministério da Saúde

Crédito: Reuters

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (5) que o Brasil tem oito casos confirmados do novo coronavírus (COVID-19), e dois deles se devem a transmissão local — ou seja, os pacientes pegaram a doença em território nacional.

São seis casos no estado de São Paulo, um no Rio e no Espírito Santo. Dois dos pacientes de São Paulo se infectaram a partir do primeiro caso confirmado do COVID-19, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira. 

"A partir do primeiro caso, tivemos duas transmissões: um familiar e outro que teve contato com o familiar", disse Oliveira.

Apesar de confirmar a transmissão local do novo coronavírus, o secretário negou que o COVID-19 esteja "circulando na comunidade", porque foi possível "traçar a origem da transmissão".

A pasta ainda monitora 636 casos suspeitos. Outros 378 já foram descartados por exames laboratoriais.

Seis pacientes visitaram a Itália

Com exceção dos dois pacientes que pegaram o COVID-19 já no Brasil, todos os outros ficaram doentes depois de passar pela Itália — o terceiro país com mais casos do novo coronavírus, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Nesta sexta (6), integrantes do Ministério da Saúde devem se reunir com médicos italianos para trocar informações.

O caso do Rio já havia sido confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde, depois de exames na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). É uma mulher de 27 anos, da cidade de Barra Mansa, no Sul Fluminense. Ela esteve na Itália entre os dias 9 e 23 de fevereiro.

Segundo o secretário estadual de Saúde do Rio, Edmar Santos, não há indicativo de circulação local da doença em Barra Mansa. O estado tem 79 casos suspeitos.

O caso do Espírito Santo se refere a uma mulher de 37 anos com histórico de viagem à Itália. 

Há um outro caso no Distrito Federal que ainda precisa passar por contraprova. À noite, a Secretaria de Saúde local informou que trata-se de uma mulher de 52 anos, e duas pessoas que estiveram em contato com ela estão sendo monitoradas. Mais cedo, o Ministério da Saúde disse que ela viajou por Inglaterra e Suíça. Ela está internada em um hospital de Brasília.

Mais cedo nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde confirmou o quarto caso: uma adolescente de 13 anos. Ela não demonstrava sintomas do COVID-19, mas passou por exames médicos depois de sofrer uma lesão durante uma viagem à Europa. A hipótese do Ministério da Saúde é de que medicamentos usados para tratar a lesão mascararam os sintomas do novo coronavírus.

Todos os pacientes ficarão em isolamento doméstico, com exceção da adolescente de São Paulo.

"Ela não vai ficar em isolamento porque não apresenta altos níveis de carga viral", disse o secretário Wanderson Oliveira.

Segundo Oliveira, 25% das crianças e adolescentes não apresentam sintomas, o que pode justificar a situação da menina de 13 anos. O secretário afirmou que pode haver outros portadores assintomáticos do novo coronavírus e que, nos próximos meses, o Brasil terá mais laboratórios públicos e privados qualificados para fazer o exame. 

Antes da adolescente, foram diagnosticados com o novo coronavírus um homem de 61 anos — o primeiro caso confirmado no Brasil —, outro de 32 e um de 46, todos moradores de São Paulo.

(Com Pedro Borg, da CNN Brasil em São Paulo)